sexta-feira, agosto 25, 2006

Reina a Incerteza

:: Cromo Repetido :: O Porto, a Liga e a Caderneta

O FC Porto troca de treinador a meio da pré-época, tal como há dois anos. A Liga, num belo exemplo de organização e competência portuguesa, não consegue resolver se quem fica na Superliga é o Gil Vicente, o Belenenses ou mesmo o Leixões. E já agora, será que este ano vamos voltar a ter Caderneta da Bola? Reina, de facto, a incerteza neste início de época!

Alguém disse aquando da saída de Adriaanse que esta equipa podia ser campeã sem treinador. É certo que se manteve todo o grupo fundamental da época passada, mas a concorrência interna está, para mim, mais forte, e o desafio europeu é grande.

Jesualdo Ferreira supostamente reuniu "o consenso do universo portista", mas pessoalmente considero que vai ser um treinador para consumo interno e de permanência relativamente curta. Por outras palavras, creio que coloca o FC Porto em condições de fazer uma boa época a nível interno, mas as afirmações de Pinto da Costa sobre uma muito melhor carreira europeia fazem-me pensar que se enganou no treinador -- isto com uma equipa técnica de idênticas características.

Relativamente à saída de Adriaanse, lamento que esta tenha acontecido. Nunca ia ser um treinador compreendido, quanto mais bem aceite, em qualquer clube português. Considero que fez um bom trabalho, conquistando campeonato e taça praticamente sem gastar dinheiro, mesmo sendo eliminado prematuramente e com bastante infelicidade na Europa. Julgo que Pinto da Costa esteve muito mal no seu relacionamento com o holandês nestes últimos tempos, e acredito que o FC Porto fica a perder com a troca de treinador.

Para já, mesmo Rui Barros foi suficiente para guiar a equipa (ainda versão Adriaanse) até à conquista da Supertaça, com um claro 3-0 frente a um Setúbal inofensivo, mesmo depois de uma primeira parte fraca. Jogadores como Anderson, Ibson e Raul Meireles mostram boa forma, mesmo que outros como Quaresma, Pepe e Paulo Assunção ainda pareçam ter algum caminho a percorrer até atingirem os níveis do ano passado.

Poucas dúvidas parece haver, entretanto, que falta algo no sector atacante. O regresso de Postiga após a saída de Adriaanse parece-me praticamente irrelevante para estas contas, vista a pobreza do registo do jogador desde que foi vendido ao Tottenham. Com Hugo Almeida fora das contas e McCarthy finalmente em Inglaterra, o Porto tem dois avançados centro bons para consumo interno mas apenas razoáveis para a Europa: Adriano e Lisandro López. Quanto ao promissor Bruno Moraes e a Sokota, enquanto não passarem uns meses seguidos na convocatória dificilmente se pode contar com eles. Parece-me, portanto, muito pouco; mas já deve estar aí mais um par de sul-americanos a caminho.

Menos comentada, mas para mim igualmente importante, é a falta de opções na defesa. Se o meio-campo tem opções a mais, o que dizer de um sector privado até ao fim do ano de Pedro Emanuel e João Paulo? Apenas os irregulares Ricardo Costa e Bruno Alves, mais a incógnita Ezequias, aparecem como alternativas ao trio consistente que tem sido titular. Pouca coisa para encarar uma época, sobretudo quando Jesualdo quiser deitar fora o 3-4-3 e implementar o seu 4-3-3.

Por outras terras, Sporting e Benfica parecem-me ter evoluído desde a época passada. No Sporting destacaria a manutenção de uma equipa técnica que parece reunir o apoio dos jogadores, bem como a aquisição de um jogador valioso no paraguaio Carlos Paredes. A juntar a isto, a habitual evolução de jovens valores das escolas sportinguistas. Já no Benfica, parece-me que muito andará às costas da capacidade de Rui Costa, aos 34 anos, continuar a inspirar a equipa como tem feito na pré-época. Fernando Santos é um treinador capaz, mesmo que não seja para mim um técnico de topo, e com reforços como Katsouranis, Miguelito e o regressado Miccoli tem argumentos interessantes -- para não falar na manutenção dos seus melhores jogadores, Luisão e Simão.

Curioso será observar como cada equipa irá gerir o desgaste acrescido de jogar a Liga dos Campeões, algo que pela primeira vez irá afectar simultaneamente os três crónicos candidatos ao título. Parece-me que o Benfica saiu com um grupo mais acessível do pote 3 do que o FC Porto do pote 2 (ao reencontrar o Manchester United com vantagem psicológica, ao mesmo tempo que defrontará um Celtic claramente em baixo desde os tempos de Larson e um FC Copenhaga que todos queriam encontrar), e que ao Sporting terá calhado a missão mais espinhosa (visto ter que superar Inter e Bayern sem deixar o Spartak de Moscovo intrometer-se).

Do grupo do FC Porto, o vice-campeão europeu Arsenal dispensa grandes comentários, mas os dois clubes de potes inferiores são também perigosos. O CSKA Moscovo domina na Rússia e não perdeu o grupo que ganhou a Taça UEFA há dois anos, com Igor Akinfeev, Daniel Carvalho, Vagner Love e Ivica Olic, num plantel que inclui muitos internacionais russos. O Hamburgo, entretanto, dispõe de nomes como Rafael van der Vaart, Nigel de Jong, Vincent Kompany e Raphael Wicky no plantel.

Veremos então o que nos reserva o arranque da Superliga, hoje, no Estádio do Dragão... e ficam votos de que este ano volte a haver Caderneta.

sábado, julho 15, 2006

Um Ano de Caderneta da Bola!

Em fase de hibernação, apesar de tudo, seria impossível não lembrar que hoje faz um ano a primeira colagem desta nossa querida CADERNETA.
Estamos de parabéns!
Não sabemos se voltaremos ao activo, mas é sempre bom festejar uma data!
Já agora, parabéns à nossa selecção pela excelente prestação no Campeonato do Mundo na Alemanha. Encheram-nos de orgulho!

sexta-feira, junho 09, 2006

Campeonato do Mundo de 2006

Está mesmo mesmo a começar...

sábado, junho 03, 2006

Nos entretantos...

É impressão minha ou o Sporting está no bom caminho?

Estou a gostar de ver...

quinta-feira, maio 18, 2006

FC Porto: Balanço da Época 2005/06

:: Cromo Repetido :: Êxito Interno, Falhanço Externo

Esta época de 2005/06 do FC Porto seguiu um velho chavão muitas vezes aplicado aos jogos de futebol: teve duas partes distintas. Co Adriaanse chegou como um desconhecido, com Ronald Koeman a entrar no Benfica como alguém que já tinha sido campeão no seu país enquanto Adriaanse nada tinha ganho. É certo que agora Adriaanse venceu campeonato e taça e Koeman já fez as malas, mas durante grande parte da época Adriaanse não era visto como uma escolha consensual.

A primeira parte da época ficou fundamentalmente marcada pela eliminação das competições europeias, não conseguindo sequer a transição para a Taça UEFA num grupo que se afigurava acessível. A nível interno as coisas iam correndo razoavelmente bem, mas a prematura eliminação europeia colocou uma nuvem negra sobre o FC Porto, culminando com a derrota na Amadora no primeiro jogo de 2006.

Viria a ser exactamente essa derrota que se tornaria um ponto de viragem para a época, com Adriaanse a trocar Baía por Helton e pouco depois a lançar a famosa defesa de 3 unidades. Sem complicações europeias, a equipa ultrapassou um grande cepticismo inicial de muitos adeptos relativamente à táctica, acabando por fazer uma segunda volta muito forte.

Enquanto o Benfica perseguia o sonho europeu para lá do que seria previsível, era o Sporting de Paulo Bento que fazia uma segunda volta ao nível do FC Porto, recuperando inclusivamente pontos que tinha perdido durante uma primeira volta comparativamente fraca. A dupla vitória do Porto sobre o Sporting, primeiro a penalties para a Taça de Portugal e depois em Alvalade para o campeonato, colocaria finalmente o FC Porto firmemente na rota do merecido triunfo interno.

O Porto demonstrou capacidade de superar a generalidade das equipas que constituem o campeonato português, perdendo poucos pontos nesses jogos. Frente a Benfica e Sporting teve mais dificuldades, apenas no final da época conseguindo bons resultados; mas provou que não é só nesses jogos que se decidem títulos.

Mais relevante para mim do que este ter sido o 13º título em 20 anos, é o facto de ser o 3º título em 4 anos. Isto porque o FC Porto recupera agora -- depois de recentes triunfos no campeonato repartidos por Sporting, Benfica e Boavista -- uma supremacia no passado recente, que é sempre o mais importante. Também importante é a juventude da equipa; muito se fala da juventude do Sporting, mas as médias de idades andam bem próximas, faltando agora saber se vão ter tempo para amadurecer antes dos melhores jogadores serem vendidos.

A defesa do FC Porto, com os tais 3 elementos, sofreu apenas 4 golos na segunda volta -- 2 dos quais depois de já ser campeão. Mesmo com o total de 16 golos sofridos, terá sido a defesa menos batida das ligas europeias. Será agora necessário manter esse rendimento no próximo ano e tentar transportar o máximo para a Europa.

De acordo com as apreciações ao rendimento dos jogadores que fui fazendo ao longo da época, quem mais contribuiu no total com as suas exibições para o êxito desta temporada foi a dupla Ricardo Quaresma e Lucho González. O argentino teve no entanto um início de temporada algo morno, pelo que em média as melhores exibições pertenceram a Pepe, Paulo Assunção e o inevitável Quaresma. Numa segunda linha surgem Raúl Meireles e Ibson (Helton fez poucos jogos, mas quando jogou nunca decepcionou).

Voltando ao genial extremo que Scolari ignorou, Quaresma foi o quarto melhor marcador da equipa, com 5 golos, tendo liderado as assistências com 10 e os títulos de melhor jogador da equipa com outros 10. Por perto só Jorginho com 6 assistências e Pepe com 4 títulos de melhor em campo, o que demonstra bem a distância. Lucho González foi o melhor marcardor da equipa, com 8 golos, seguido por Lisandro López e pela meia época de Adriano, ambos com 7.

Por tudo isto, impõe-se a atribuição do título de jogador do ano no FC Porto a Ricardo Quaresma.

Veremos agora o que faz o FC Porto na preparação da nova época. Claramente o sistema táctico foi suportado defensivamente por Pepe e Assunção, pelo que é importante determinar se as alternativas a estes jogadores existem. Por outro lado, essa táctica terá no próximo ano uma prova de fogo na Europa, onde provavelmente se verá forçada a funcionar mais vezes com o quarto defesa.

Ofensivamente existem mais dúvidas; será que Quaresma, Lucho e Pepe ficam? E McCarthy? Adriano será jogador para a Liga dos Campeões? Quem dará finalmente equilíbrio ao flanco onde não estiver Quaresma? Se a defesa e o meio-campo parecem bem encaminhados, ofensivamente ainda há muito por fazer.

É muito cedo para fazer previsões, mas como habitualmente será interessante esta nova época de transferências. Dela dependerá em grande parte a expectativa para a nova época. Uma coisa é certa: se souberem manter e reforçar este plantel, a juventude desta equipa pode ser um grande trunfo para o futuro.

terça-feira, maio 16, 2006

Convocatória para o Mundial

:: Cromo Repetido:: O "Grupo" Acima de Tudo

Antes de comentar a convocatória ontem anunciada por Scolari, parece-me conveniente esclarecer alguns pontos que assumo serem verdadeiros:

- Por muito discurso que Scolari faça para disfarçar a sua resposta de verdadeiro casca-grossa a Agostinho Oliveira, e mesmo sendo Scolari chefe de todos menos de Madaíl (ou também de Madaíl?... às vezes confunde-se), será sempre Agostinho Oliveira a ser responsabilizado pelos resultados (ou falta deles) dos sub-21 no Europeu. Assim sendo, vou assumir que Scolari se está borrifando para o resultado do Europeu em comparação com o do Mundial; consequentemente, terá escolhido o melhor grupo de jogadores possível para o Mundial, sem estar a sacrificar ninguém para bem dos sub-21.

- O que os adeptos de futebol vão tendo oportunidade de observar em campo é apenas uma parte do que se torna relevante ao fazer uma convocatória como esta. Não é conveniente ao seleccionador ter jogadores cuja personalidade possa entrar em conflito com outros, deteriorando o espírito de grupo. Como exemplo, a imagem de Mellberg e Ljungberg ao murro num treino da Suécia. Não havendo nenhum jogador verdadeiramente seleccionável que tenha tido esse tipo de comportamento por cá, vou assumir que também não serão antipatias pessoais a determinar quem "é da malta" e quem não é; portanto todos seriam, em princípio, seleccionáveis para fazerem parte deste grupo restrito.

- Finalmente, uma equipa deve ter alguma rotina em campo, pelo que é desejável a manutenção de um núcleo estável, dentro do possível. O trabalho do seleccionador é principalmente o de coordenar a manutenção deste núcleo com a incorporação dos jogadores que a cada momento estejam em melhor forma, e consequentemente mais capazes de produzir resultados. Só assim uma selecção pode evitar cair num dos extremos: uma equipa farta de jogar junta mas cheia de gente em baixo de forma, ou uma equipa em que toda a gente está em forma mas joga cada um para seu lado.

Feito este preâmbulo, é fácil de entender muitas das escolhas de Scolari. De facto, Quim, Ricardo Costa, Costinha, Maniche, Hugo Viana e Hélder Postiga nada fizeram esta época para merecerem um lugar na convocatória. No entanto, fazem parte do tal "grupo", e não convocar uma parte significativa deles teria certamente impacto negativo no momento piscológico da selecção. A ênfase aqui é na "parte significativa", senão temos uma selecção de lugares cativos até à reforma.

Por falar em reforma, vou deixar Figo sossegado por uma vez. Pronto, baldou-se à fase de qualificação toda e voltou quando lhe apeteceu. Se calhar ainda é mais chefe do que Scolari e Madaíl juntos. Mas não interessa, porque isso pelos vistos não afecta o grupo.

O que me interessa comentar é simplesmente aquilo que Scolari recusa comentar: os que não foram convocados. Scolari aparentemente acredita que não lhe pagam o suficiente para ter que explicar em condições as suas decisões. Não questionem, que ele já foi campeão do mundo (não interessa se foi com o Brazil, continua a não ser qualquer um que faz isso). O problema é que ao recusar falar sobre determinados assuntos, mais não faz do que expor a fragilidade inerente às suas decisões. Muito simplesmente, se assim não fosse, explicava-se.

Qual seria então a explicação para a não convocatória de Quaresma? Para escolher Viana em lugar de Moutinho? Ou Postiga em vez de João Tomás? E que tal dar uma oportunidade num amigávelzito qualquer a jogadores como Miguelito ou Pedro Mendes? Não interessa; os que não foram convocados, para todos os efeitos, não existem.

Aquilo que me preocupa nos que foram efectivamente convocados é existir muito pouca gente que esteja realmente em forma (ao contrário do Euro 2004), e muito pouca gente com velocidade. Boa Morte não se encaixa bem na forma de jogar da selecção, e à falta de Quaresma, no 11 inicial só resta Cristiano Ronaldo com velocidade. Poucas soluções para ponta-de-lança, também, mas esse já é mal comum há muito tempo.

Boa sorte para o Mundial, e cuidado com os grupos "fáceis".

segunda-feira, maio 15, 2006

FC Porto, 1 - Vit. Setúbal, 0

:: Cromo Repetido :: FC Porto Completa Triunfo Nacional

É inegável que a Taça de Portugal, bem como as suas congéneres em diversos outros países, já não tem o mesmo valor de outros tempos para os clubes de maior dimensão. Ainda assim, não deixa de ter alguma relevância, pelo menos simbólica; e essa relevância aumenta consideravelmente quando a Taça se junta à conquista do campeonato em vez de servir como prémio de consolação numa época falhada.

Para o Vitória de Setúbal, detentor do troféu, era uma surpreendente segunda presença consecutiva na final. Apesar de uma segunda metade de época bem menos convincente do que a primeira, após toda a turbulência natalícia que afectou o clube, era inegável a determinação sadina em reconquistar o troféu.

O jogo pouco ou nada teve de surpreendente, à parte a titularidade do jovem Anderson: começou o Porto instalado no meio-campo do Setúbal, que por sua vez defendia no último terço do terreno e tentava baixar o ritmo da partida. As situações de perigo iam aparecendo, com Quaresma a assumir bem o jogo, mas nada de muito flagrante -- até Carlitos enviar o primeiro remate setubalense, já depois da meia hora de jogo, à barra.

Pouco depois surgia o golo do FC Porto, que viria a decidir a entrega do troféu. Quaresma tira mais um bom cruzamento, Adriano adivinha bem o lance e antecipa-se de cabeça à defensiva adversária. Momentos depois McCarthy quase duplica a vantagem, mas o guarda-redes Rubinho conseguiu opor-se. A polícia de intervenção decidiu entretanto animar a festa do golo com uma carga prolongada sobre parte dos adeptos portistas, por razões que a transmissão televisiva não permite determinar.

O segundo tempo foi mais estranho, na medida em que o Setúbal tentou atacar e foi abrindo espaços para o Porto falhar repetidamente o 2-0. O melhor lance setubalense foi protagonizado por Bruno Ribeiro, com um remate de surpresa para grande defesa de Helton. Do lado portista, quase toda a gente teve oportunidade de falhar um ou mais golos, particularmente com o aproximar do final do encontro.

Relativamente à arbitragem do lisboeta Duarte Gomes, numa palavra: miserável. Pouco se aproveitou de uma arbitragem que esteve mal a nível disciplinar, fraca em termos de ábitros assistentes, e cega em vários lances dentro da área do Setúbal no primeiro tempo.

A vitória do FC Porto foi justa, na minha opinião, com ambas as equipas a fazerem uso das suas armas dentro do possível neste final de época. Realce para o gesto de Pedro Emanuel, capitão de equipa, ao fazer questão que Baía erguesse a taça juntamente com ele. Não é fácil vencer campeonato e taça no mesmo ano, pelo que novamente Adriaanse e este seu FC Porto estão de parabéns.

sábado, maio 13, 2006

Preparando a próxima época...

Numa altura em que há que organizar o Sporting como Clube, SAD e Equipa de Futebol, surgiram boas notícias esta sexta-feira:
  • Abel renovou por mais 3 épocas, sendo desde já um reforço de grande valor para o plantel, graças às suas apuradas características como futebolista;
  • Paulo Bento oficializou perante a comunicação social que irá orientar a equipa por mais 2 anos;
  • Sá Pinto, por decisão do treinador Paulo Bento, não voltará a jogar futebol pelo Sporting. Esta foi uma decisão extremamente acertada de Paulo Bento, que reconhecendo a entrega do jogador, soube perceber que Sá Pinto não tem actualmente lugar no plantel.

segunda-feira, maio 08, 2006

Campeão da segunda volta

O campeonato argentino é composto por duas voltas independentes: o Torneio Apertura e o Torneio Clausura. Em ambas as equipas começam do zero, logo há a possibilidade de haver dois campeões diferentes em cada ano. Se fosse assim em Portugal, o Sporting teria vencido um título, pois foi o campeão da segunda volta, ao somar 42 pontos, mais três que o FC Porto. Tivesse a primeira volta sido igual e os leões teriam sido campeões. Mas a incompetência do primeiro treinador da época pagou-se cara e não é possível começar a lutar pelo título à 18ª jornada. Pelo menos salvou-se o segundo lugar, com acesso directo à Liga dos Campeões. Desde 1996/97 que o Sporting não terminava nesta posição. Pelo meio foi duas vezes campeão e ficou em terceiro e quarto lugar.

O Sporting só dependia de si próprio para assegurar o vice-campeonato, bastando-lhe para tal um empate na recepção ao Sp. Braga. Perante uma das melhores assistências da época, os leões entraram em campo para ganhar. Depois de algumas jogadas de perigo, o golo surgiu aos 21 minutos, numa jogada exemplar: Abel cruzou da direita e Moutinho, numa execução muito difícil, rematou de primeira de pé esquerdo, fazendo a bola entrar no ângulo superior direito da baliza de Paulo Santos. Depois o Sporting abrandou um pouco, mas continuou a ser mais perigoso, com Deivid a falhar um golo incrível (semelhante ao que já tinha falhado na Luz). No segundo tempo o Braga tentou tomar conta do jogo, também por consentimento leonino. Mesmo assim acabou por ser o Sporting a ter mais oportunidades para aumentar a vantagem. Apenas no finalzinho do jogo Delibasic podia ter empatado, ao rematar por cima da baliza vazia depois de João Tomás ter ganho no ar a Ricardo.

A vitória por 1-0 acabou por servir apenas para os sportinguistas irem para férias com algum conforto de alma. Isto porque o Benfica perdeu em Paços de Ferreira por 1-3, depois de estar a ganhar ao intervalo. No final do jogo, desta vez, Koeman não comentou o jogo do Sporting. Certamente porque teve na Mata Real motivos mais que suficientes para umas boas gargalhadas. A figura de Moretto no golo do empate do Paços mereceria destaque no “Comedy Capers”, esse programa tão caro a Ronald.

O Sporting acabou por fazer uma época relativamente positiva, se contarmos apenas com o período em que Paulo Bento esteve no banco. Os leões fizeram uma bela recuperação no campeonato e conseguiram manter a emoção até à 30ª jornada, quando perderam com o FC Porto. Mas o segundo lugar vale tanto como o primeiro, em termos financeiros, e esse foi conseguido sem discussão. Na Taça o Sporting saiu nas meias-finais, mas de forma que não envergonha. Vergonha aconteceu nas duas eliminações europeias, mas Paulo Bento nada teve a ver com isso, ao contrário do seu incompetente antecessor (ou será antecessor incompetente?).

Agora há que preparar a próxima época. Paulo Bento terá de ser para manter, obviamente, nem admito outro cenário. Para fazer uma figura decente na Champions será preferível manter igualmente os melhores jogadores do plantel, nomeadamente os que terão mais mercado, como Liedson, Moutinho ou Nani. Veremos o que vai acontecer, pois é sabido que no Sporting facilmente se vendem os grandes talentos, mesmo pondo em causa o sucesso desportivo. A nota de terror vai para a cada vez maior probabilidade de Sá Pinto continuar a jogar mais um ano. Gostava de ver o Sporting jogar 11 contra 11 e não 10 contra 12, como tantas vezes aconteceu este ano.

Boavista, 1 - FC Porto, 1

:: Cromo Repetido :: Oportunidade aos Reservas

O FC Porto apresentou na jornada final da liga uma equipa de reservas para jogar no Bessa. Nenhum dos titulares da jornada anterior foi sequer convocado, pelo que Adriaanse deu minutos a diversos elementos menos utilizados nos últimos meses, aproveitando ainda para estrear o jovem Hélder Barbosa. A equipa alinhou num 4-3-3 em que um dos defesas tentava subir, não arriscando tácticas menos usuais.

Pela minha parte, foi uma oportunidade agradável para ver alguns desses jogadores; já o Nacional, que dependia deste jogo para tentar manter o seu lugar na Taça UEFA, provavelmente achou menos interessante a opção de Adriaanse. No entanto, viria a verificar-se que a equipa pouca competitividade perdeu, dado o empenho da generalidade dos jogadores em mostrarem valor neste final de época.

Entrou melhor o Boavista, com Baía a negar uma grande ocasião a João Pinto (em posição duvidosa no momento em que se isolou). O Porto acalmou o jogo, com Ibson e Anderson a subirem de rendimento, e num bom corte de Bruno Alves nasceu um belo golo de Lisandro López. O argentino correu pela esquerda, flectiu para o interior e atirou ao ângulo.

O Boavista teria nova situação de golo por Paulo Jorge no segundo tempo, com Baía novamente em evidência, até que já numa fase adiantada do jogo o mesmo Paulo Jorge viria a desviar um cruzamento para o golo do empate. Bruno Alves estava entre ele e a bola e reclamou empurrão pelas costas, mas o árbitro Pedro Henriques não atendeu.

O jogo terminaria empatado, e com o jovem Hélder Barbosa a ver escusadamente o segundo amarelo já em tempo de compensação. Houve ainda tempo para Sokota regressar à competição por alguns minutos depois da lesão ligamentar que o afastou desde o jogo de Glasgow. Globalmente, a equipa apresentada mostrou bons argumentos, com jogadores como Ibson, Lisandro López, Bruno Alves e Anderson em destaque. Falta agora a final da Taça de Portugal na próxima semana.

- 99 - Vítor Baía [7] - Nada podia fazer no golo que sofreu, tendo tido várias intervenções de qualidade.
- 22 - Sonkaya [6] - Não comprometeu, dentro das limitações que lhe são conhecidas.
- 35 - Marek Cech [6] - Regular no seu papel entre defesa e meio-campo.
- 13 - Bruno Alves [7] - 1 assistência - Pena o lance que perdeu no golo do Boavista, independentemente de poder ter existido falta, porque no restante teve uma boa exibição; é o tipo de jogador que pode comandar uma defesa.
- 3 - Ricardo Costa [7] - Alguns bons cortes e poucos erros a referir; nota-se maior consistência quando joga a central.
- 6 - Ibson [7] - * - Não chegou a deslumbrar, mas nota-se quase sempre a sua qualidade naquilo que faz a meio-campo.
- 30 - Anderson [7] - É fácil esquecer a sua idade, de onde vem provavelmente alguma irregularidade, mas a sua capacidade de aceleração, drible curto, e futebol objectivo impressionaram várias vezes no Bessa.
- 27 - Alan [6] - Como habitualmente, foi misturando lances interessantes com outros mal finalizados.
- 25 - Ivanildo [6] - Já esteve em melhor forma, e apesar da mistura promissora de juventude com capacidade física e técnica, não se conseguiu impor.
- 11 - Lisandro López [7] - 1 golo - Marcou um belo golo e saiu tocado ao intervalo.
- 39 - Hugo Almeida [6] - Razoável dentro de um jogo que não estava muito talhado para as suas características.

- 57 - Hélder Barbosa [6] - Fica lembrada a estreia pelo segundo amarelo escusado que viu, mas é um jogador interessante.
- 17 - Jorginho [-]
- 19 - Sokota [-]