segunda-feira, agosto 29, 2005

Naval, 2 - FC Porto, 3

:: CROMO REPETIDO :: Atacar Bem e Defender Mal

Se a Naval tinha vencido por 2-0 em Guimarães na primeira jornada e parecia um adversário mais perigoso do que o Est. Amadora, a verdade é que fazia a sua estreia em casa em jogos da 1ª divisão. Em qualquer caso, pareceu-me sempre ser um FC Porto disposto a assumir que o golo da vitória não era inevitável, mas sim que era necessário trabalhar para o obter.

Dessa forma, agradou-me a postura da equipa -- não por jogar para ganhar, obviamente, pois era essa a obrigação de quem tem um orçamento tão superior -- mas pela forma como encarou a necessidade de correr com e sem bola. Isso fez o meio-campo melhorar muito de produção, sobretudo com Ibson (no lugar do lesionado Raul Meireles) a vir buscar jogo atrás, algo que na minha opinião tinha faltado no primeiro jogo.

Gostei, portanto, do trabalho do FC Porto a meio-campo: rápido, criativo e mesmo assim combativo. Ibson, como referi, trouxe muito maior fluidez ao movimento da bola, e Diego exibiu-se a muito melhor nível; apenas Lucho González ainda não mostrou em jogos oficiais o talento que dizem ter.

Em contrapartida, sempre que se apanhou com dois golos de vantagem (0-2 e 1-3), o FC Porto relaxou e pouco depois sofreu um golo, terminando o jogo com um enganador 2-3 que não reflecte a superioridade dos visitantes.

Curiosidade o facto do improvisado lateral esquerdo César Peixoto ter feito os dois primeiros golos de cabeça (falhas de marcação iguais nos dois golos devem dar que pensar a Cajuda), e o mesmo Peixoto ter feito o auto-golo do resultado final (embora sem grande culpa na jogada). Realce ainda para as três assistências de Jorginho e para a estreia de Hugo Almeida a marcar.

Finalmente, referência para o árbitro Lucílio Baptista, que não quis expulsar Carlitos (Naval) por acumulação de cartões amarelos a meia hora do fim, tendo depois interrompido um lance perigoso de ataque da Naval perto do fim do jogo para assinalar uma falta que deixou algumas dúvidas sobre César Peixoto -- que por sua vez tinha obrigação de resolver melhor o lance.

Apreciação do trabalho dos jogadores, com nota de 0 a 10:

- 99 Vitor Baía [6] - Não teve culpa nos golos, mas também não fez defesas de grande realce.
- 22 Fatih Sonkaya [6] - Jogador algo limitado, mas que cumpriu a sua missão.
- 21 César Peixoto [8] - 2 golos - * - Decidiu o jogo com dois golos de cabeça, e por isso merece ser destacado como o melhor jogador da equipa. Quase marcou um terceiro de livre directo, mas acabou por marcá-lo na própria baliza devido a um ressalto. Cumpriu a missão defensiva de forma razoável.
- 3 Ricardo Costa [6] - Não esteve mal, mas tal como Pedro Emanuel deveria ter feito mais para evitar sofrer dois golos perante uma equipa com pouco poder ofensivo.
- 4 Pedro Emanuel [6] - Exibição correcta, mas tal como o resto da defesa não pode ficar isento de responsabilidades nos dois golos sofridos.
- 6 Ibson [8] - O jogador que faltou contra o Est. Amadora. Muito bom a pegar no jogo atrás, pareceu deslizar pelo campo, cobrindo muito espaço, defendendo bem e tratando a bola de forma muito inteligente na transição. Deveria ser um titular indiscutível nesta altura.
- 8 Lucho González [6] - O mesmo do primeiro jogo. Promete, não joga mal, mas ainda não faz a diferença que se espera dele.
- 20 Diego [8] - Se fosse só pela primeira parte seria sem dúvida o melhor em campo. Grande remate no início do jogo, alguns passes excelentes para desmarcações, e boa iniciativa na recuperação de bola -- o que é algo de muito positivo num jogador criativo.
- 7 Jorginho [8] - 3 assistências - Quem faz três assistências num jogo não deve ter jogado mal. Não desequilibrou tanto no drible como no primeiro jogo, mas cobrou muito bem os cantos que decidiram o jogo.
- 11 Lisandro López [7] - Mais positivo pela entrega do que pelo que produziu, mas cresceu na segunda parte numa altura em que era necessário.
- 10 Hélder Postiga [5] - Sem falhas semelhantes ao primeiro jogo, mesmo assim produziu muito pouco -- um remate perigoso antes de sair, que eu me lembre. Deixou claro porque é que deve perder o lugar quando McCarthy regressar.

- 39 Hugo Almeida [7] - 1 golo - Um golo na única oportunidade que teve, perto da baliza, nos vinte e poucos minutos que jogou; tem que aproveitar bem, porque poderá ser outro prejudicado pelo regresso de McCarthy.
- 7 Quaresma [7] - Poucos minutos para mostrar alguma coisa, mas não demorou a tirar um lance de grande nível que originou o terceiro golo. Vai precisar de se concentrar em ser objectivo para ter lugar, mas a sua utilidade pode ser grande.
- 27 Alan [-] - Pouco tempo em campo.

terça-feira, agosto 23, 2005

FC Porto, 1 - Est Amadora, 0

:: CROMO REPETIDO :: O Importante É Começar a Ganhar

Primeiro jogo oficial da época para o FC Porto, com os ingredientes reunidos para o verdadeiro tropeção: jogo em casa frente a equipa recém-promovida, depois da miséria que foram os jogos em casa na época passada.

Na minha opinião a exibição deixou bastante a desejar tendo em conta o adversário, mas a desculpa do costume aceita-se: é o primeiro jogo, e ao menos deu para ganhar o jogo.

A primeira parte preocupou-me na medida em que parecia não haver médios dispostos a pegar no jogo, com a bola a rodar indefenidamente como um objecto indesejado entre o quarteto defensivo. Faltaram movimentações para desmarcação, mas gostei dos desequilíbrios criados pelo Jorginho, que me surpreendeu agradavelmente.

Depois do golo do Ricardo Costa, em que grande parte do mérito vai para o primeiro remate do Lisandro López, assistiu-se à incapacidade de reacção do super-defensivo Est. Amadora e à falta de à vontade do FC Porto para matar o jogo. Remataram demasiadas vezes de longe para quem estava a ganhar, e faltou objectividade ao contra-ataque, mas pelo menos não houve pânicos e a defesa trabalhou bem.

Referência para a agressão de Emerson com o cotovelo a Lucho González, muito antes da chegada da bola, e que deu apenas cartão amarelo. O McCarthy na época passada, por bem menos... enfim.

Segue-se uma breve apreciação dos jogadores, com nota de 0 a 10.

- 99 Vitor Baía [6] - Pouco que fazer, não fez asneiras mas também não lançou especialmente bem nenhum lance de (contra-)ataque.
- 22 Fatih Sonkaya [6] - Não me impressinou nem pela velocidade ou agressividade a defender, nem pela capacidade de atacar; a menos que seja bem melhor do que parece, dá a ideia de ser talhado para suplente multi-funções. No entanto cumpriu sempre sem comprometer, o que já não é nada mau.
- 21 César Peixoto [6] - Esperava mais apoio dele ao ataque, mas mesmo assim teve algumas iniciativas interessantes sem comprometer a defesa. Uma opção interessante como lateral esquerdo para alguns jogos em casa, mas não para fazer toda a época nessa posição.
- 3 Ricardo Costa [7] - 1 golo - Uma perda de bola a meio-campo logo no início, mas de resto uma boa exibição e bastante segurança. Marcou o golo, em que apesar de ter sido fácil mostrou bom aproveitamento e posicionamento. Bem melhor central do que lateral.
- 4 Pedro Emanuel [7] - Fez um bom trabalho como líder defensivo, assumindo o aumento de responsabilidade -- embora perante um adversário que incomodou pouco.
- 16 Raúl Meireles [6] - Jogo correcto e esforçado mas pouco notável. Pelo que tinha ouvido dizer da pré-época dele, esperava melhor.
- 8 Lucho González [6]- O mesmo do Raúl Meireles. Mostrou sem dúvida pormenores de classe; parece muito bom no passe e na visão de jogo, mas algo lento. Esperava melhor, mas o tempo o dirá.
- 20 Diego [6] - Jogador que aprecio, mas que ainda precisa de subir de forma depois de perder grande parte da pré-época. Foi quase sempre travado em falta (a fazer lembrar a época passada), mas empenhou-se bastante e teve um remate perigoso.
- 7 Jorginho [7] - * - Melhor jogador da equipa, na minha opinião, o que é curioso visto tratar-se de um reforço a estrear-se no Dragão. Desequilibrou bem no drible em alturas em que havia ainda pouco espaço, e foi pena que quando passou a haver mais espaço já estivesse desgastado. Promete dificultar a vida ao Quaresma (estranhamente não convocado para este jogo).
- 10 Hélder Postiga [4] - De longe o elemento mais fraco. Por bom jogador que seja, não pode falhar dois golos de cabeça como os que falhou se quiser ser ponta-de-lança. De resto esteve discreto.
- 11 Lisando López [6] - Bom cabeceamento que veio a dar golo, e algumas boas iniciativas. Ainda tem bastante a melhorar, mas ocasionalmente deu boas indicações.

- 27 Alan [5] - Bem lançado pelo treinador para 20 minutos finais em que previsivelmente haveria espaço para o contra-ataque, teve um par de bons lances (sobretudo o cruzamento bem tirado para o Hugo Almeida) mas nada de especial.
- 39 Hugo Almeida [4] - Em 15 minutos teve um remate de longe ao lado e um mau domínio de bola quando estava isolado. Tem condições físicas para ser um ponta-de-lança interessante, mas a bola não pode atrapalhar tanto.
- 6 Ibson [-] - Um minuto não deu para nada, e é claramente jogador que merece bem mais tempo em campo julgando pelo que fez na época passada.