segunda-feira, outubro 31, 2005

FC Porto, 0 - Vit. Setúbal, 0

:: Cromo Repetido :: A Sorte Protege Quem?

Pois, costuma dizer-se que a sorte protege os audazes. Neste caso protegeu quem montou uma equipa ultra-defensiva, não rematou à baliza, quase não passou do meio-campo e passou 90 minutos a entreter a bola sempre que a conquistava. Do outro lado, um FC Porto que entrou forte, com 4 remates perigosos nos primeiros 4 minutos de jogo, criou lances suficientes para decidir o jogo na primeira parte, e depois entrou para o segundo tempo sem inspiração nem capacidade para marcar o golo que quebrasse a muralha setubalense.

Com McCarthy no banco a parecer poupança para o Inter, Adriaanse lançou de início Alan (que rendeu pouco) e colocou no meio Jorginho (que continua em baixo de forma). Deixou fora dos convocados os excelentes médios Diego e Ibson porque não gostou do que fizeram na vitória por 1-0 sobre o Marco para a Taça. E que falta fizeram na segunda parte.

Quanto ao Vit. Setúbal, equipa que normalmente aprecio e que desceu injustamente de divisão há dois anos, nada teve a ver com as qualidades que tenho visto nela nos útimos anos. Norton de Matos tem feito um trabalho de aparente involução, em que (com salários em atraso ou sem eles -- não são propriamente os primeiros a terem esse problema) pegou numa equipa que jogava bom futebol e ganhava taças e transformou-a numa que passa a linha de meio-campo e atrasa a bola repetidamente para o guarda-redes.

O jovem árbitro António Resende fez algo que eu adivinhei ao fim de um quarto de hora de o ver apitar. Resende marcou todas as faltas possíveis e imaginárias sempre que alguém caiu ou ameaçou cair, excepto aos 20 minutos quando Jorginho sofre falta na área do Vit. Setúbal. O FC Porto deveria ter ganho o jogo na mesma, mas não é de forma alguma um facto irrelevante.

Dois pontos perdidos, num jogo em que em vez de um ponto para cada lado deveria ter ido um ponto para o FC Porto e zero para o Vit. Setúbal.

- 99 - Vítor Baía [-] - Não me é possível atribuir classificação porque tanto quanto me lembre praticamente não participou no jogo.
- 12 - Bosingwa [6] - Correcto, mas nada de brilhante no ataque.
- 35 - Marek Cech [6] - Bom jogador, equilibrado a atacar e a defender.
- 4 - Pedro Emanuel [-] - Ver Vítor Baía.
- 14 - Pepe [-] - Idem.
- 18 - Paulo Assunção [6] - Cumpriu o seu papel, mas sem equipa adversária a atacar foi menos importante. Empenhado e útil mesmo assim.
- 8 - Lucho González [6] - Só por muito azar não marcou de cabeça no final da primeira parte, mas foi outro dos que desapareceram na segunda.
- 17 - Jorginho [5] - Produziu pouco, tornando-se nesta altura questionável a insistência de Adriaanse num bom jogador mas que não está em forma.
- 7 - Quaresma [7] - * - O jogador em melhor forma da equipa, fez o possível mas foi pouco acompanhado.
- 27 - Alan [5] - Outra exibição fraca, substituído cedo na segunda parte.
- 39 - Hugo Almeida [5] - Trabalhou muito mas produziu pouco, falhando uma excelente oportunidade logo no início.

- 25 - Ivanildo [6] - Depois do grande golo na Taça, criou alguns desequilíbrios mas não foi suficiente.
- 9 - McCarthy [5] - Nunca entrou no ritmo do jogo.
- 16 - Raul Meireles [-] - Pouco tempo em campo, numa altura em que a bola sobrevoava o meio-campo.

segunda-feira, outubro 24, 2005

Nacional, 0 - FC Porto, 1

:: Cromo Repetido :: A Revolta dos Sub-21

Há treinadores que têem atitudes muito "à antiga", e Adriaanse seguiu um dos chavões máximos do futebol: em equipa que ganha não se mexe. E assim, depois de trocar 6 jogadores para o jogo com o Inter, desta vez repetiu esse onze. O resultado foi positivo, com uma exibição mais consistente do que brilhante perante um Nacional muito expectante e pouco perigoso na generalidade do encontro.

Quaresma, ainda em boa forma, tirou vários cruzamentos de trivela, quase sempre bem medidos, um dos quais quase dava golo de Hugo Almeida ainda na primeira parte. Jogada quase idêntica viria a dar o golo da vitória no início do segundo tempo, com Adriaanse a realçar a repetição da combinação que estes jogadores já têem posto em prática nos sub-21 de Portugal.

Pelo meio, ficou uma bola de Lucho de longe ao poste, uma recarga de Quaresma após erro do guarda-redes que este consegue desviar, e um remate de McCarthy que ainda roçou na barra quando o Porto já ganhava. A perder, o Nacional não conseguiu reagir de forma organizada, mas mesmo assim criou duas boas situações, que desperdiçou. Defensivamente a equipa esteve correcta, atenta mas sem tantos problemas para resolver como se antevia.

Em jogo sem grandes casos, o Porto realizou uma exibição sóbria e conseguiu uma vitória num terreno habitualmente difícil.

- 99 - Vítor Baía [6] - Depois de uma grande exibição com o Inter, teve um jogo mais sossegado do que seria de esperar. Ia sendo traído perto do fim por um mau atraso de Bosingwa.
- 12 - Bosingwa [7] - Apesar do referido acima, fez um bom jogo, defendendo bem e atacando pelo seu flanco com propósito.
- 35 - Marek Cech [7] - Não complicou, defendeu de forma correcta e tratou bem a bola.
- 4 - Pedro Emanuel [7] - Numa defesa que esteve certa, Pedro Emanuel foi novamente a voz de comando que tanta falta fez noutros jogos.
- 14 - Pepe [7] - Acima do que eu esperava dele, Pepe dominou o jogo aéreo e empenhou-se bem na disputa dos lances, não tendo feito nenhum disparate com a bola nos pés como já chega a ser habitual nele.
- 18 - Paulo Assunção [7] - O tal trinco que todos queriam que Adriaanse usasse foi um jogador útil, na medida em que recupera mais bolas do que Ibson e defende melhor do que ele; não trata tão bem a bola, mas não é nada mau. Continuo a achar que em casa o lugar é de Ibson, mas num jogo como este foi muito útil.
- 8 - Lucho González [6] - Eu teria tirado o argentino antes de tirar Ibson ou Diego, mas Adriaanse optou por deixá-lo ficar. Fez um remate de longe ao poste e um bom passe para Alan, tendo tido um jogo regular em que beneficiou da segurança da equipa; mas continua lento para o meu gosto.
- 17 - Jorginho [6] - Versátil, mas já esteve em melhor forma. Teve mesmo assim algumas boas acções.
- 7 - Quaresma [7] - 1 assistência - * - Também erra cruzamentos e também lhe saem mal remates, mas neste momento é claramente o jogador mais perigoso do Porto. Tirou dois grandes cruzamentos de trivela para Hugo Almeida, o segundo dos quais deu golo.
- 9 - McCarthy [6] - Atirou a sua oportunidade a raspar a barra, de resto um jogo em que participou de forma positiva sem chegar a ter grande influência.
- 39 - Hugo Almeida [7] - 1 golo - Quem diria que neste altura teria 3 golos no campeonato, com este a ser decisivo na Madeira, e participado em todos os jogos? Uma presença muito útil que não se entende ainda bem com McCarthy, mas promete não desistir.

- 27 - Alan [6] - Pariticipou no contra-ataque que era sua missão reforçar sem causar grande desequilíbrio.
- 20 - Diego [6] - Verdadeiro suplente de luxo, entrou para segurar a bola e cavar faltas, missão que compriu.
- 21 - César Peixoto [-] - Entrou para o seu lugar de raiz, mas já muito perto do final.

domingo, outubro 23, 2005

Equipa em ruínas ganha ponto em Barcelos

O Sporting realizou esta noite, em Barcelos, o primeiro jogo sob a orientação de Paulo Bento, depois do “reinado” longo, demasiadamente longo, de José Peseiro (é impressionante como o tempo corre depressa quando as coisas correm bem e como se arrasta quando correm mal, ou pessimamente). Tudo somado, era difícil fazer melhor. O antigo médio internacional português pegou numa equipa em ruínas, da qual pouco ou nada se aproveitava. O empate a duas bolas não é um bom resultado e confirma a minha ideia de que este campeonato está perdido para o Sporting, pois até colocar a equipa a jogar como quer, Paulo Bento ainda vai perder muitos pontos. Mas nem tudo foi mau.

Nota positiva para as estreias como titulares de Nani (já tinha jogado alguns minutos em jornadas anteriores) e André Marques, dois jovens de 18 anos. Nani voltou a dar belíssimas indicações, desta vez jogando com mais liberdade no terreno e não amarrado à linha. Em muitos períodos foi mesmo o melhor jogador do Sporting. Excelente capacidade técnica, bom driblador e com visão para fazer passes de morte. Está na forja mais um talento “made in Alcochete”. Espero que tenha tempo de brilhar em Alvalade e não vá brilhar para outros relvados, como Simão, Quaresma e Ronaldo. André Marques esteve mais discreto, o que não é necessariamente mau. Tello e Paíto, por exemplo, dão muito nas vistas, mas sobretudo pelos erros que cometem. O jovem lateral esquerdo, com bom pé esquerdo e bom porte físico, pode bem ser o futuro do Sporting naquela posição.

No geral, o Sporting não fez um jogo muito mau, principalmente em comparação com os últimos sob a orientação de Peseiro. Teve maior controlo do jogo, criou algumas oportunidades, em suma, mostrou alguma alegria de jogar, depois de alguns jogos que mais pareciam um funeral. Alguns jogadores mostraram até uma ligeira subida de rendimento, casos de Douala, Liedson (voltaram aos golos) e Moutinho. Em abono do Sporting diga-se ainda que devia ter tido duas grandes penalidades a seu favor na primeira parte: primeiro num agarrão de Marcos António a Beto e depois numa mão do mesmo jogador gilista. Outro factor positivo foi o do acreditar até ao fim, o que valeu aos leões dois golos na fase final de cada uma das partes.

Mas houve igualmente muitas coisas negativas. Para já, o resultado. Os rivais directos ganharam e o Sporting já está a sete pontos da liderança, uma semana antes de ir ao Bessa. Para a perda de dois pontos em Barcelos contribuiram alguns factores. Paulo Bento terá uma tarefa hercúlea para formar uma defesa decente, depois de Peseiro ter estado 16 meses sem trabalhar minimamente esse sector vital da equipa. O Sporting sofreu dois golos ridículos em Barcelos, ambos de bola parada. No segundo golo, então, é incompreensível como não foi colocado um homem ao primeiro poste. A bola entrou mesmo por aí... Curiosamente, apesar desses dois falhanços incríveis, a defesa leonina não permitiu muitas mais ocasiões de perigo ao Gil Vicente. Além disso, o Sporting continua a fazer alinhar jogadores que visivelmente não têm categoria para jogar num clube que se quer campeão: Sá Pinto, Miguel Garcia, Polga e mesmo Beto não oferecem nada de positivo ao clube. Preocupante é também o facto de os reforços João Alves e Wender continuarem sem mostrar aquilo que valem.

Antevisão do Vitória de Setúbal - Vitória de Guimarães

Este é um jogo muito especial na cidade de Setúbal. A equipa de todos os setubalenses encontra-se em dificuldades. Do ponto de vista desportivo, tem um grande grupo de profissionais a trabalhar para si, tanto a jogar, como a orientar. O jogo de hoje, é para ser vencido pelos da casa, que se jogarem como há muito habituaram os seus adeptos, vencerão sem dificuldades. O Vitória de Setúbal é sem dúvida um dos mais históricos e importante clubes deste país. Cabe aos imensos sócios e adeptos que o clube tem, unirem-se para resolver esta questão.

Antevisão do Gil Vicente - Sporting

Hoje disputa-se o primeiro jogo de um novo ciclo na vida do clube leonino. Agora sob a orientação de Paulo Bento, é tempo de começar a reconstruir uma equipa que, não é por falta de matéria prima, que não obtém bons resultados. Independentemente dos jogadores que Paulo Bento vai escolher para o onze titular, eis os que eu escolheria para o jogo de hoje.

Na baliza, colocaria Ricardo, guarda-redes de categoria, que não tem tido o devido acompanhamento por parte do resto da equipa. É em quem caem os insultos dos adeptos, sempre que se sofre um golo, esquecendo-se estes de que a arte de bem defender, é um trabalho de conjunto. Talvez ainda não seja um Peter Schmeichel, mas tem de ser apoiado. Nem todos podem ser como o "gigante dinamarquês". Temos também outros bons guarda-redes ligados ao clube, como Nelson ou Tiago. Todos devem ser apoiados e ter a sua oportunidade, mas hoje é a vez de Ricardo.

No centro da defesa, colocaria, tendo em conta as condicionantes que o plantel tem neste momento: Beto e Polga.

Nas laterais: Rogério e Tello.

No meio campo central, com a dupla função de proteger a defesa e transportar jogo para a frente: Custódio e João Moutinho.

A jogar pelas alas colocaria: Douala e Carlos Martins.

No centro, bem colocado no apoio ao ponta-de-lança, colocaria a titular, Pinilla, aquele que na minha opinião, tem mais vontade de vingar no futebol do Sporting.

Na frente, Liedson. Mas o que se quer de Liedson, é a alegria que víamos no seu jogo. Um novo ciclo agora começa, esperamos que Paulo Bento tenha conversado com Liedson em particular.

É este o 4-4-2 que defendo para o Sporting de hoje, frente ao Gil Vicente.

sábado, outubro 22, 2005

8º Jornada da Liga Portuguesa - Primeiros Resultados

O Rio Ave foi ao Restelo vencer o Belenenses por duas bolas a uma.

A equipa do Braga mostrou mais uma vez porque é, hoje e cada vez mais, uma das melhores equipas deste país. Num jogo disputado em casa, obteve uma vitória por um golo sem resposta frente à equipa do Boavista.

O Benfica venceu com naturalidade, por dois golos sem resposta, o Estrela da Amadora, que não soube mostrar argumentos para contrariar a equipa vermelha. Não pode deixar de ser notado o golo mal anulado ao Estrela da Amadora, ainda na primeira parte, que poderia ter resultado num desfecho diferente.

sexta-feira, outubro 21, 2005

Um Novo Sporting Começa a Tomar Forma...

Depois da crise, inevitável seria um período de reflexão. Uma completa reformulação do Sporting começa a tomar forma. O regresso de Carlos Freitas à direcção do futebol do Sporting: impunha-se. Paulo Bento como treinador principal do Sporting é a Solução para orientar no terreno, um plantel que como é do conhecimento público, se encontra desorientado. Muito trabalho espera todos aqueles que abraçam agora este Novo Sporting. A reestruturação ainda agora está a começar, mas penso que é hora de pedir a todos os sportinguistas uma coisa: Apoio Incondicional. Uma Equipa Campeã, constrói-se, não surge do nada. O plantel é bom, apenas precisa de alguém com pulso firme. Ambição é exigida a toda e qualquer pessoa que se envolva neste projecto. Paulo Bento é o homem a quem foi pedida uma coisa: Que transforme aqueles jogadores, em Campeões.

quinta-feira, outubro 20, 2005

FC Porto, 2 - Inter, 0

:: CROMO REPETIDO :: A Sorte Estará a Virar?

Quando menos seria de esperar -- com maus resultados recentes, frente à equipa com melhor plantel de todas as defrontadas esta época, carrasco nos 4ºs de final da Liga dos Campeões da época passada, e ainda por cima acabada de dar 5-0 na liga italiana -- o FC Porto conseguiu dar a volta aos problemas. Veremos se conseguem levar agora o impulso até à Madeira.

Posso dizer que esta época nunca senti o Porto beneficiado pela sorte quer do jogo quer da arbitragem. Contra o Inter, teve a sorte do jogo; o árbitro, entretanto, poupou a expulsão a Córdoba e por duas vezes a Júlio Cruz. Será que a UEFA vai actuar?

Adriaanse mudou para 4-4-2, com um trabalhador e útil Hugo Almeida ao lado de McCarthy. Aproveitou o castigo de Bruno Alves no campeonato para o tirar da equipa, afastando também Ricardo Costa; o regressado Pedro Emanuel jogou ao lado de Pepe. Desta forma Adriaanse colocou em campo os centrais mais e menos seguros do plantel, respectivamente. Na lateral esquerda lançou o jovem eslovaco Marek Cech, enquanto no meio-campo colocou Quaresma no lugar de Alan e Paulo Assunção no lugar do lesionado Lisandro López. Diego não entrou em campo, algo que me custa a aceitar perante o sub-rendimento de Jorginho.

Das novidades, resultou uma defesa que não sofreu golos. Mas com a sorte de jogos como os dois anteriores da Liga dos Campeões, teria sofrido certamente. Baía fez um grande jogo, mas a sorte ajudou. Do outro lado, conseguiu chegar à vantagem por um auto-golo de Materazzi, e ampliar com um bom remate de McCarthy que resvalou num defesa. O Porto nunca foi uma equipa que amontoasse defesas atrás da bola, mas não teve um grande instinto de contra-ataque perigoso apesar das substituições sempre ofensivas do treinador, procurando refrescar o ataque.

Para além do destaque de Baía, Quaresma voltou a estar bem no ataque, Cech fez uma boa estreia frente a Figo, e Pedro Emanuel é um regresso bem-vindo. A opção por Pepe parece mais discutível, mas neste momento de confiança de Ricardo Costa e Bruno Alves talvez seja o mais acertado. Deixar Ibson e Diego de fora parece-me também um desperdício, mas há que salientar a exibição realista e eficaz de Paulo Assunção na luta de meio-campo.

O Inter ameaçou no início da 2ª parte e também mais tarde com Recoba e Adriano em campo, mas não concretizou sequer o primeiro golo que poderia relançar o jogo. O Porto não fez um jogo vistoso, mas ganhou; o treinador mudou mais de meia equipa, e o público gosta sempre é da vitória.

Com o empate a zero na Escócia entre Rangers e Artmedia, o FC Porto volta a sonhar com o apuramento; mas ainda depende de uma segunda volta sem falhas.

terça-feira, outubro 18, 2005

Período de Reflexão no Sporting

A indefinição está instalada. É tempo de reflectir.

domingo, outubro 16, 2005

FC Porto, 0 - Benfica, 2

:: CROMO REPETIDO :: Os Cobardes e os Idiotas

Duramente criticado pela imprensa pelos golos que sofre (ainda assim menos no campeonato do que Benfica e Sporting à entrada desta jornada), o FC Porto entrou em campo com o mesmo alinhamento no quarteto defensivo e o mesmo esquema ofensivo a meio-campo. Adriaanse considerou que Pedro Emanuel ainda não estava pronto a regressar após lesão, e deixou ainda Diego e Quaresma no banco, entrando para os seus lugares Lisandro López e Alan.

A primeira parte foi repartida, com poucas oportunidades de golo mas um ritmo razoavelmente agradável. O Benfica marcou em contra-ataque no início do segundo tempo, fazendo logo de seguida o 0-2 em novo lance de contra-ataque, novamente por Nuno Gomes, e beneficiando de uma falha de Ricardo Costa. O FC Porto não conseguiu reduzir a diferença, numa exibição esforçada mas pouco inspirada. Nada de penalties discutidos nem foras-de-jogo debatidos, apenas duas expulsões correctas: Bruno Alves por vermelho directo e Léo perto do final por acumulação de amarelos.

Resumido que está o jogo, vamos passar aos cobardes e idiotas que refiro no subtítulo. (Note-se que não pretendo insultar ninguém, mas apenas exprimir o meu desacordo veemente com determinadas atitudes e comportamentos que se verificaram em redor do jogo.)

Primeiro os cobardes. A encabeçar a lista, Karagounis. A meio da primeira parte, o cobarde médio benfiquista e internacional grego Karagounis tem uma entrada por trás sobre Lisandro López, cuja maldade e perigo qualquer jogador de futebol confirmará. As lágrimas de Lisandro quando saía de campo lesionado, devia-as ter pago o cobarde Karagounis com a expulsão por vermelho directo. No entanto, por muito que os organismos que regulam o futebol ditem que tais entradas por trás devem ser punidas com expulsão imediata, o mau árbitro que é Lucílio Baptista julga-se certamente superior a essas entidades, pelo que optou por um contemporizador amarelo. O FC Porto perdeu Lisandro, o Benfica continuou injustamente com 11 a meio da primeira parte, e o jogo ficou marcado desde aí.

Continuando a lista, o presidente Luís Filipe Vieira manteve-se na sua senda recente de provocações, declarando após o jogo que "o norte é vermelho" -- insultando assim todo e qualquer adepto de outro clube da região com a sua mania de grandeza. Entretanto, o terceiro da lista, José Veiga, divertiu-se a provocar os adeptos em campo a partir do momento em que o Benfica marcou e até final. Cobardes e arruaceiros de baixo nível, certamente virão para a comunicação social chorar lágrimas de crocodilo da próxima vez que houver problemas numa visita do Benfica ao norte.

Em contrapartida, Pinto da Costa manteve o seu (desde há bastante tempo habitual) silêncio durante a semana perante declarações de Vieira de que o Porto tinha medo do Benfica, e mais concretamente de Petit. (Medo de Petit, digo eu, só se for pelo susto!) Para todos os que dizem que Portugal precisa de novos dirigentes, e que tanto criticavam Pinto da Costa quando este incendiava os ânimos e rivalidades no passado, talvez Vieira e Veiga sejam aquilo que pretendem.

Quanto aos idiotas, comecemos pelos mais básicos: aqueles que acham que atirar objectos para o relvado, talvez tentando atingir o guarda-redes adversário, pode ter algum tipo de proveito ou encontrar justificação no facto de cenas semelhantes acontecerem regularmente no Estádio da Luz. É inaceitável. O mesmo se aplica a perturbações do estágio da equipa adversária, mesmo que esta se instale no centro da cidade -- atitude que sabem que vai ser entendida como provocatória.

O menos idiota da minha lista é Co Adriaanse. Simplesmente foi demasiado idealista ao manter uma equipa tão ofensiva quando um empate servia para manter o Benfica a 4 pontos e evitar grandes críticas. À parte isso, nada a apontar pela minha parte, embora preferisse Diego e Quaresma no onze inicial.

Idiota mesmo foi Bruno Alves, que até estava a fazer uma boa exibição apesar da pressão, ao perder a cabeça a meio da segunda parte em lance sobre Nuno Gomes. Prejudicou a equipa e até mesmo a sua carreira no FC Porto, embora Adriaanse pareça disposto a dar-lhe nova oportunidade.

Mas muito mais idiotas são a meia dúzia de patetas alegres que, entre largos sorrisos, iam agitando "lenços brancos" nas bancadas. No ano passado ajudaram a despedir Fernández, quando acabavam de perder a liderança do campeonato e tinham já a Taça Intercontinental e o apuramento para os quartos de final da Liga dos Campeões assegurados. Graças a isso, desperdiçaram o título de campeões nacionais que podiam perfeitamente ter ganho, e nada melhorou. Agora, não tendo aprendido coisa nenhuma, pertendem que Adriaanse vá embora porque joga demasiado ao ataque e sofre alguns golos. Preferem Octávio Machado? Nesse caso, eu preferirei nem ver os jogos.

Destes pseudo-adeptos (que estranhamente até parecem pagar para ir ao estádio), e em resposta à questão de ter dito que se ia embora se os adeptos do Porto lhe mostrassem lenços brancos, disse Adriaanse que apenas viu adeptos benfiquistas a acenarem os tais "lenços". Eu não posso concordar mais. Por favor: vão ao estádio ajudar a equipa, ou então fiquem em casa.

Segue-se a minha opinião sobre a exibição da equipa do FC Porto.

- 99 - Vítor Baía [6] - O Benfica teve apenas um remate perigoso ao lado, que eu me lembre, e nos golos não era fácil fazer mais. Não fez praticamente uma única defesa.
- 12 - Bosingwa [5] - Falhou na marcação a Nuno Gomes no primeiro golo, mas seria dele a responsabilidade dessa marcação? Redimiu-se parcialmente ao cortar um contra-ataque de 3 contra 1, mas teve uma exibição pobre.
- 21 - César Peixoto [6] - Alguns erros na fase final em que os nervos apertaram, mas uma exibição globalmente positiva.
- 3 - Ricardo Costa [4] - Um grande corte acrobático com o jogo já em 0-2 foi o melhor que me lembro de um jogador com potencial mas em crise de confiança. A falha no segundo golo é imperdoável, e talvez fosse ele quem devesse estar a marcar Nuno Gomes no primeiro golo e não Bosingwa. Para capitão de equipa, está verde -- devia claramente ser Baía, guarda-redes ou não.
- 13 - Bruno Alves [4] - Caminhava para uma exibição bastante razoável, sem culpas nos golos, e uma nota 6, quando perdeu a cabeça na 2ª parte e agrediu Nuno Gomes quando este se insurgia contra uma entrada mais dura do central portista.
- 6 - Ibson [6] - Faltou brilho, não tendo tido um mau jogo.
- 8 - Lucho González [6] - Tal como Ibson, não esteve mal mas nem desequilibrou na defesa nem no ataque.
- 11 - Lisandro López [6] - Trabalhou bem enquanto esteve em campo, sofrendo depois entrada violenta de Karagounis a meio da 1ª parte, após a qual teve que sair por lesão.
- 17 - Jorginho [5] - Esforçado, mas cada vez parece menos inspirado.
- 27 - Alan [5] - Fartou-se de tentar, mas pouca coisa lhe saiu bem. Jogador muito directo, parece mais talhado para jogos fora de casa e Quaresma para jogos em casa.
- 9 - McCarthy [6] - Poucas chances, lutou mas não lhe saiu nada particularmente bem.

- 20 - Diego [6] - Entrou para o lugar do lesionado Lisandro, e tal como os outros médios teve uma exibição esforçada mas pouco inspirada.
- 7 - Quaresma [7] - * - O melhor jogador da equipa pelos desequilíbrios que conseguiu causar, expulsando Léo sozinho; devia ter jogado de início.
- 39 - Hugo Almeida [6] - Depois de mais uma boa exibição pelos sub-21, teve pouco jogo mas continua a justificar ser opção.

segunda-feira, outubro 03, 2005

Marítimo, 2 - FC Porto, 2

:: CROMO REPETIDO :: FC Porto Oferece Mais Um Ataque de Nervos

Adriaanse repetiu o onze que perdeu frente ao Artmedia, e na minha opinião muito bem. É uma equipa com condições para enfrentar o jogo, e assim manifestava confiança nos jogadores. Mesmo com os dois golos que sofreu sem contar com o jogo do Sporting nesta jornada, continuava a ter melhor defesa que Sporting e Benfica (de 2 passava para 4 golos sofridos contra 5 de cada um dos outros). Mas aquela primeira parte...

O Marítimo entrou praticamente com o golo, bastante consentido num lance de bola parada desviado de cabeça a meia altura ainda longe da baliza. A partir daí, o Porto ficou com um buraco entre o meio-campoa e a defesa, constantemente exposta pelo rápido contra-ataque do Marítimo. Para além da bola ao poste de Manduca, o Marítimo dispôs de outras oportunidades, incluindo um golo anulado (lance muito confuso e rápido). O melhor que o Porto fez terminou também num golo (bem) anulado a McCarthy.

Ao intervalo, as melhores notícias para o Porto eram que só estava a perder 1-0 e que Manduca, o jogador mais perigoso do Marítimo, se lesionara nos instantes finais.

Adriaanse tirou Diego ao intervalo, lançando o (finalmente) estreante Paulo Assunção numa tentativa de dar mais força ao meio-campo. Desagradam-me estas constantes substituições de Diego, que nem estava a jogar mal, mas há que dar razão a Adriaanse pelo resultado: o Marítimo quebrou fisicamente, perdeu veneno com a saída de Manduca, e a 20 minutos do fim o Porto marcou dois golos de rajada e virou o jogo.

Primeiro o suplente Lisandro López aproveitou a confusão na área para desferir um remate imparável, e depois o Porto contra-atacou em bloco após um canto (aprenderam com o Artmedia) e César Peixoto marcou de forma eficaz -- isto já depois da troca de Bruno Alves por Hugo Almeida. O Marítimo entretanto queixava-se de penalty na minha opinião inexistente sobre Sergipano.

Adriaanse tentou reorganizar uma equipa super-ofensiva para defender o resultado, o mesmo Sergipano foi muito bem expulso com segundo amarelo (depois de já antes ter cuspido impunemente em Ricardo Costa), e o jogo parecia correr de feição ao Porto... até que num remate de longe Marcinho, beneficiando da pouca pressão do meio-campo de recurso do Porto, restabeleceu a igualdade já perto do fim.

Nova expulsão para o Marítimo, aparentemente por excessos nos festejos, o Porto carrega, cria três grandes situações de golo em outros tantos minutos, mas o jogo termina empatado.

O Porto quase teve o jogo perdido no fim da primeira parte, e quase teve o jogo ganho no fim da segunda. Feitas as contas, o empate parece um resultado justo.

Fica uma nota final. Muita gente parece não ter gostado que Adriaanse chegasse e começasse a criticar o futebol português. Joga ao ataque, tem a mania que em Portugal a mentalidade é má porque beneficia o anti-jogo... e há pessoas que não gostam de ouvir críticas de qualquer recém-chegado. Pois bem, talvez prefiram recém-chegados como Sergipano do Marítimo, e críticas ou sugestões como a que ele enviou em forma de escarro para a cara do Ricardo Costa -- depois de um jogo inteiro de simulações de faltas e protestos contra o árbitro. Isto numa equipa treinada por um brasileiro e que entrou em campo com nove brasileiros. No ano passado achava que o Porto tinha brasileiros a mais, e ainda tem bastantes, mas isto que o Marítimo faz é um exagero que devia ser regulamentado.

(Já agora, espero para saber quantos jogos vai apanhar de castigo por via das imagens televisivas da cuspidela. O jogador do Rio Ave que na primeira jornada agrediu Lucho González passou em claro, coisa impensável noutras situações da época passada.)

- 99 - Vitor Baía [5] - Não teve propriamente culpa directa nos golos, mas quase que podia ter feito mais alguma coisa... o mesmo quase que lhe falta para ter nota mais alta.
- 12 - Bosingwa [6] - Precisa de visão de jogo para juntar à velocidade e resistência. Fez um jogo positivo pelo flanco todo, mas partilha das dificuldades defensivas sentidas.
- 21 - César Peixoto [7] - 1 golo - * - Melhor jogador da equipa por ter marcado aquele que poderia ter sido o golo da vitória numa correria desde a sua posição de lateral esquerdo, onde não comprometeu apesar da muita responsabilidade defensiva e ofensiva que lhe é atribuída.
- 3 - Ricardo Costa [5] - Não lhe correram bem as coisas nestes dois jogos, e mesmo tendo provavelmente mais potencial do que Bruno Alves, esteve em ambos os casos em pior plano.
- 13 - Bruno Alves [6] - Mais consistente do que Ricardo Costa, mesmo sem uma grande exibição no meio da dificuldade defensiva. Provavelmente perderá o lugar para Pedro Emanuel na próxima jornada quando este regressar, mas deixa boas indicações.
- 6 - Ibson [5] - Irregular. Já fez grandes jogos esta época, mas contra o Artmedia e o Marítimo errou mais do que é normal.
- 8 - Lucho González [5] - Pareceu-me ser dele a falha de marcação no primeiro golo. De resto, exibição mediana mas algo fora do ritmo do jogo.
- 20 - Diego [6] - Achei que foi o menos mau da primeira parte, e saiu ao intervalo. Com a baixa do Marítimo e a melhoria do Porto, podia até ter sido o melhor em campo no fim dos 90 minutos.
- 17 - Jorginho [5] - Jogo fraco, se bem que esforçado, de um jogador que tem vindo a cair de rendimento depois de um bom início de época.
- 7 - Quaresma [6] - Nada de especial, mas alguns bons apontamentos até ser substituído na segunda parte quando me parece que deveria ter sido Jorginho a sair.
- 9 - McCarthy [6] - Trabalhou bem e não foi por ele que o Porto não ganhou.

- 18 - Paulo Assunção [6] - Tentou dar mais consisência ao meio-campo, mas se marcou melhor, também já não havia Manduca para marcar. Estreia esforçada sem grande coisa a assinalar.
- 11 - Lisandro López [7] - 1 golo - Entrada mais esforçada que inspirada, mas arrancou um grande remate à entrada da área para o empate -- valeu bem a pena entrar por isso.
- 39 - Hugo Almeida [6] - 1 assistência - Foi dele o toque ainda a meio-campo para a cavalgada que podia ter sido vitoriosa do golo de Peixoto, e teve ainda um remate que passou pouco ao lado com o jogo em 2-2. Continua a ser uma opção útil no banco.