quarta-feira, março 29, 2006

O dia em que Rocha tapou Ronaldinho

Este é um título que muitos adeptos do Benfica, e do futebol em geral, não esperariam um dia ser possível. Mas foi! 28 de Março de 2006 foi a data para esse fenómeno do mundo futebolístico.

Perante um Estádio da Luz a abarrotar pelas costuras, Ricardo Rocha não se intimidou por marcar o melhor jogador do mundo e de uma forma leal, como fez questão de realçar Ronaldinho Gaúcho, no final do encontro. Também é preciso dizer, em abono da verdade, que o brasileiro se resguardou bastante, sobretudo no primeiro tempo, temendo uma eventual marcação mais apertada, coisa a que ele já deve estar mais que habituado. Mesmo assim há que dar mérito a Ricardo Rocha, pois não estava a jogar na sua posição natural, depois porque conseguiu acabar o jogo sem ser "amarelado" ou mesmo expulso e, por fim, porque conseguiu "secar" o brasileiro, sobretudo no primeiro tempo, salvo quando este tinha de flectir para o meio para procurar mais espaço.

Para quem esteve no estádio, como eu, deu logo para perceber que o "dentuça" é mesmo a estrela da companhia. Primeiro porque foi o único a entrar para o aquecimento com a indumentária diferente dos companheiros, o aquecimento para ele é sempre com a bola e até na sua saída para os balneários teve de dar o seu show, não se importando com o enorme coro de assobios com que os adeptos do Benfica o brindaram.

Com as equipas perfiladas, ao som do hino da Liga dos Campeões, o arrepio do nervoso-miudinho percorreu o corpo dos adeptos benfiquistas que ambicionavam que "o-todo-poderoso" Barcelona estivesse numa noite "não".

O começo do Benfica foi desolador. Extremamente inibido e demasiado preso de movimentos, parecendo, por vezes, desorientado com o carrossel catalão movido por Deco, Iniesta, Van Bommel e Eto'o. O primeiro sinal desse estado de espírito foi dado logo aos 5 minutos, quando Anderson atrasou para Moretto e o guarda-redes agarrou a bola. Primeiro disparate do ex-V. Setúbal que se conseguiu redimir do lance com duas boas intervenções. O jogo prosseguiu ao ritmo barcelonista e apenas através da meia distância, Simão, Manuel Fernandes e Petit conseguiram assustar Valdés. Pelo meio, Deco falhou escandalosamente a oportunidade para abrir o activo, depois de uma jogada de Eto'o, que colocou o luso-brasileiro na cara do golo. Aos 26 minutos, segundo disparate de Moretto, com o brasileiro a fazer uma "rosca" que, por pouco, não colocava a bola nos pés de Ronaldinho. O Benfica não conseguia sacudir a pressão, com Laurent Robert a ser a unidade menos produtiva do conjunto encarnado e Beto a estar uns furos acima daquilo que nos habituou. Antes do apito para o intervalo do inglês Steve Bennet, dois lances que quase levavam ao colapso cardíaco da massa associativa da Benfica. Van Bommel, em jogada individual, abriu uma avenida que só não deu em golo porque Moretto fez uma defesa sublime. O guardião encarnado voltaria a estar em destaque, pela positiva, quando Eto'o aproveitou uma falha incrível de Anderson e rematou para a defesa, por instinto, de Moretto. Mas como não há bela sem senão...Moretto ainda iria ter tempo para cometer o terceiro disparate. Mais um atraso para o brasileiro e este, em vez de chutar a bola, tentou colocá-la em Anderson, mas no caminho estava Van Bommel que rematou cruzado, mas ao lado. Por esta altura, já se dizia nas bancadas que o melhor avançado do Barcelona era...Moretto.

A equipas recolhiam às cabines com um nulo no marcador, mas não foi por falta de oportunidades. Para o segundo tempo, Miccoli rendeu o apagadíssimo Robert e a entrada do italiano abanou o jogo. O Benfica surgiu mais organizado e a ocupar melhor os espaços. Mesmo assim, foram os catalães a disporem das melhores ocasiões para desfazerem o empate, mas os postes da baliza encarnada travaram a investidas de Larsson e Thiago Motta. Miccoli, Simão e Geovanni também tiveram boas chances para marcarem, mas estava destinado que esta partida dos quartos-de-final da Champions iria acabar a zero.

Num encontro intenso do princípio ao fim, faltava apenas um lance polémico. E esse aconteceu aos 70 minutos com a jogada da moda. Simão cruzou, na esquerda, com Thiago Motta a colocar deliberadamente a mão na bola. Com os 60 mil adeptos a gritarem grande-penalidade, o senhor Bennet fez vista grossa e prossegiu o jogo como se nada fosse.

Com este resultado, o Benfica tem legítimas aspirações em sonhar com as meias-finais, apesar do enorme poder de fogo da formação catalã. A saga benfiquista continua e no dia 5 de Abril, no Camp Nou, conheceremos o desfecho final do embate deste duelo de titãs...

segunda-feira, março 27, 2006

Académica, 0 - FC Porto, 1

:: Cromo Repetido :: Solução Vinda do Banco

Perante uma Académica que mesmo a jogar em casa nunca pareceu querer aventurar-se a passar muito do meio-campo, o FC Porto tinha que encarar o jogo de forma positiva. Facilmente este tipo de jogo se transforma numa batalha de meio-campo com poucas ocasiões de golo, e por vezes a diferença entre empatar ou ganhar alguns destes jogos decide campeonatos.

Neste caso, o Porto teve uma primeira parte recheada de ocasiões falhadas (as mais flagrantes por Lucho e McCarthy, duas no caso do sul-africano), mais a lesão de Lucho (devido a entrada por trás de um adversário num lance em que nem falta foi marcada).

O segundo tempo viu um Porto menos perigoso, com o estranhamente regressado Alan em plano particularmente negativo. No entanto Hugo Almeida viria do banco receber um passe do também suplente Jorginho a 20 minutos do fim e concretizar muito bem o golo que decidiu o jogo.

Até final o Porto fez uma pobre gestão da posse de bola, não sabendo conservar a mesma como convinha. Mesmo assim o único lance de algum perigo que a Académica criou foi numa recarga bem defendida por Helton, que surpreendentemente substituiu Baía para este jogo.

O árbitro António Costa deixou os cartões em casa, com evidente prejuízo para o FC Porto, mas não teve influência no resultado.

- 1 - Helton [7] - Surpreendeu o seu regresso à equipa, mas esteve sempre seguro.
- 14 - Pepe [8] - * - Começou no lugar do castigado Bosingwa, passando depois para o meio, e em ambos os casos pareceu sempre um degrau acima de toda a gente em termos de rapidez, capacidade física e empenhamento.
- 4 - Pedro Emanuel [6] - Alguns bons cortes, passou para a direita devido a algumas dificuldades na marcação e teve um jogo discreto a partir daí.
- 35 - Marek Cech [6] - Depois do erro frente ao Sporting, cumpriu bem a sua missão defensiva perante uma Académica que pouco incomodou.
- 18 - Paulo Assunção [7] - Jogo normal deste útil trinco brasileiro.
- 8 - Lucho González [6] - Lesionado pela entrada de um adversário perto do intervalo, fica agora a aguardar exames que determinem a gravidade de uma lesão na pior altura.
- 16 - Raul Meireles [7] - Continua a fazer jogos esclarecidos, e nem parecia que tinha jogado 120 minutos de elevado ritmo na 4ª feira.
- 27 - Alan [4] - Estava fresco, tendo saltado da bancada directamente para o onze, mas a sua exibição foi péssima ao longo de todo o jogo.
- 7 - Quaresma [6] - Na sua relativa baixa de forma, não esteve mal nem foi o jogador decisivo que pode ser.
- 28 - Adriano [6] - Teve um bom desvio de cabeça ao melhor cruzamento de Quaresma e um remate acrobático de primeira, mas de resto rendeu pouco até ser trocado pelo decisivo Hugo Almeida.
- 9 - McCarthy [6] - Apareceu por duas ou três vezes a concretizar, mas a finalização não correu bem.

- 17 - Jorginho [7] - 1 assistência - O escolhido para substituir Lucho teve alguns bons lances em drible, mais o passe para o golo.
- 39 - Hugo Almeida [7] - 1 golo - Marcou o golo decisivo, num bom trabalho individual após passe de Jorginho, e teve mais um cabeceamento perigoso.
- 3 - Ricardo Costa [6] - Entrou para ajudar a defesa logo após o golo, compensando a troca forçada de Lucho pelo mais ofensivo Jorginho.

Um bom remédio anti-insónias

O Estádio José Alvalade assistiu ontem à noite ao primeiro jogo decisivo da edição 2005/06 da Liga Betandwin.com. À 28ª jornada, o Sporting recebeu e venceu o Penafiel por 2-0, confirmando matematicamente a descida dos durienses à Liga de Honra. É a primeira equipa a conhecer o seu destino nesta temporada. Foi talvez o pior jogo a que se assistiu em Alvalade esta época, entre uma equipa em poupança de esforço e outra sem argumentos para conseguir algo que não uma derrota. Valeu a beleza dos dois golos leoninos.

Em relação à sua equipa-tipo, Paulo Bento apresentou cinco alterações no onze inicial. Os castigados Caneira e Custódio deram lugar a Tello e Luís Loureiro. No meio-campo o treinador sportinguista deixou Sá Pinto e Carlos Martins no banco e colocou em campo João Alves e Nani. Na frente jogou Douala no lugar de Deivid, que viajou para o Brasil por motivos familiares. O Penafiel jogou num esquema semelhante ao do Sporting, mas claramente com armas desiguais. Mesmo jogadores com algum currículo no futebol português, como é o caso de Juninho Petrolina, mostraram impotência para inverter a situação.

O Sporting entrou naturalmente ao ataque, mas sem forçar muito. O primeiro golo surgiu logo aos 15 minutos. Nani rematou de fora da área, a bola sofreu um desvio em Nuno Diogo e fez um chapéu perfeito a Nuno Santos. Foi um golo feliz, mas de bonito efeito. O jogo não se alterou muito e nas bancadas apenas se pedia mais um golo, para que a vitória não fosse colocada em perigo (se é que isso alguma vez aconteceria). Esse golo surgiu aos 37 minutos, quando Moutinho cruzou da esquerda, um defesa do Penafiel cortou para fora da área e João Alves, sem deixar a bola cair, rematou fortíssimo e deixou Nuno Santos sem hipótese, apesar da sua tentativa de reacção.

Na segunda parte praticamente não houve jogo. O Penafiel tentou adiantar-se mais no terreno, embora sem grande convicção, e o Sporting desistiu de tentar marcar mais golos, pretendendo, acima de tudo, poupar esforços depois da difícil batalha do Dragão, a meio da semana.

Foi a nona vitória consecutiva dos leões na Liga e o sexto jogo sem sofrer golos. Para a semana realiza-se a última grande final antes da finalíssima com o FC Porto, dentro de duas semanas. Mas essa finalíssima só terá lugar se o Sporting vencer em Guimarães, mantendo pelo menos dois pontos de desvantagem para os dragões, que terão tarefa fácil ao receberem o Gil Vicente. Mais do que isso tornará muito complicada a luta sportinguista pelo título. Mas, e apesar de o Sporting ter um historial recente de grande sucesso no Afonso Henriques, a jornada prevê-se complicada. Os vimaranenses têm vindo a jogar bem, mas os resultados continuam a ficar aquém. Nas últimas três jornadas a equipa de Vítor Pontes cedeu três empates, dois deles com golos sofridos para lá dos 90 minutos. Além disso conheceu o Céu e o Inferno na Taça, com a vitória na Luz e a derrota em Setúbal nas grandes penalidades, depois de ter permitido o empate em cima dos 120 minutos. Será um Vitória de raiva ou um Vitória descrente aquele que o Sporting vai encontrar? Espero que seja um Vitória de regresso às derrotas.

PS - Com a vitória frente ao Penafiel, o Sporting chegou aos 61 pontos, tantos quantos os alcançados na época passada no fim do campeonato. Agora ainda temos 18 pontos para disputar. Ah, é verdade, não temos é futebol espectáculo nem a melhor pressão alta da Europa. Que angústia que isso me causa...

quinta-feira, março 23, 2006

FC Porto, 1 - Sporting, 1 (5-4 nas grandes penalidades)

:: Cromo Repetido :: Porto Passa à Tangente em Duelo Equilibrado

Perante o post anterior de origem leonina sobre esta meia-final, pouco tenho a acrescentar. Concordo com o que foi escrito, pelo que pouco mais farei do que repetir de passagem os vários eventos que me pareceram mais relevantes, mas de uma perspectiva diferente.

De facto foi uma meia-final de Taça equilibrada, mais do que propriamente bem jogada, com ambas as equipas a mostrarem carácter e bom ambiente numa bancada em que se misturaram adeptos (só foi pena um foguete luminoso atirado pelos SD para o relvado).

Adriaanse mudou o 3-3-4 para um 3-4-3 com Cech no lugar de Anderson. O Sporting manteve o 4-4-2. Alturas houve em que os passes não se ligavam, e particularmente da parte do FC Porto isso chegou a ser preocupante. O Porto dominou o início do jogo, e o Sporting equilibrou; os visitantes comçaram melhor a segunda parte, e depois foi a vez do Porto equilibrar as operações e tornar-se a equipa mais perigosa.

As poucas situações evidentes de golo foram divididas pelas equipas. Primeiro Liedson isolou-se e viu Pepe desviar a bola com o braço sobre a linha de grande área. Poder-se-á argumentar uma eventual falta sobre McCarthy a meio-campo no início do lance, mas foi difícil de comprovar a sua existência. Em todo o caso, fica por marcar o desvio de Pepe com o braço, que embora seja sobre a linha de área, dá a ideia de ter sido dentro da mesma. Se nesse lance a posição do árbitro poderia não facilitar a visão da jogada, a melhor ocasião do Porto na primeira parte deveu-se a um fora-de-jogo por marcar a McCarthy num contra-ataque, lance em que o árbitro assistente esteve mal.

Depois da melhor ocasião do Sporting no início do segundo tempo ter visto Baía a negar o golo a Caneira, o Porto criou a melhor ocasião do jogo por Adriano, que desviou um passe longo de Pedro Emanuel para o poste. Ambas as equipas foram no entanto sempre cuidadosas na sua abordagem ao jogo, vindo o perigo mais de algumas asneiras defensivas do que de grande inspiração ofensiva.

Paulo Bento foi mexendo na equipa, enquanto Adriaanse só mexeu uma vez e ao minuto 90 (Lisandro López por Adriano). O prolongamento teve uma primeira parte sem interesse, mas no segundo tempo aconteceu de tudo, e até Adriaanse teve que recorrer às substituições de que ainda dispunha.

Primeiro foi Cech, pressionado por Nani, a atrapalhar-se com a bola na defesa, oferecendo ao sportinguista o cruzamento para golo fácil de Liedson. Depois Deivid tentou queimar um pouco de tempo, Meireles reagiu mal, Caneira quis intervir, Lucho também por lá andou de cabeça perdida, e acabou toda a gente amarelada. Caneira já tinha um amarelo, pelo que foi expulso, e Adriaanse lançou Hugo Almeida para o lugar de Pedro Emanuel. Com cinco minutos para jogar, previa-se um final intenso, e pouco demorou para Quaresma cruzar para McCarthy ganhar posição num molho de jogadores e cabecear para o empate. Bosingwa ainda seria expulso por segundo amarelo num lance em que não parece tocar em Tello, e o jogo foi para desempate por grandes penalidades.

O penalty decisivo acabou por ser logo o primeiro, com Baía a defender muito bem o remate de Moutinho. Todos os outros foram convertidos, incluindo um de Ricardo, e o de Lisandro que fechou o jogo. Veremos logo à noite qual dos Vitórias o FC Porto encontrará na final.

Assim se constrói uma grande equipa

Depois de 10 vitórias consecutivas (incluindo Liga e Taça), o Sporting tinha na noite de quarta-feira um grande teste à sua categoria actual, ao defrontar o FC Porto no Estádio do Dragão, para as meias-finais da Taça de Portugal. O resultado foi o que foi, mas o teste foi ultrapassado (quase) com distinção. O FC Porto está na final da prova e quase de certeza que vai ganhá-la, mas o Sporting não tem qualquer motivo para se sentir menorizado. Não gosto de vitórias morais, mas gosto de me orgulhar da minha equipa e ela, pelo que tem vindo a fazer, merece o orgulho de quem a apoia.

O primeiro motivo de orgulho e honra para o clube de Alvalade foi dado por Co Adriaanse, ao formar a equipa. Pela primeira vez desde que passou a utilizar o audacioso sistema táctico de 3x3x4 (início da segunda volta da Liga), o holandês mexeu na fórmula, diminuindo um pouco o risco. O 3x3x4 foi transformado num 3x4x3, o que nem na visita à Luz tinha acontecido. O extremo Anderson saiu da equipa e foi substituído por Cech, que jogou mais recuado. O FC Porto entrou assim em campo: Vítor Baía; Bosingwa, Pedro Emanuel e Pepe; Raul Meireles, Lucho, Paulo Assunção e Cech; Adriano, McCarthy e Quaresma.

Já Paulo Bento manteve o esquema que tem solidificado, o 4x1x3x2, apostando em dois pontas-de-lança. O regresso de Caneira foi normal, a surpresa passou pela inclusão de Miguel Garcia no lugar de Abel. O Sporting alinhou então com: Ricardo; Miguel Garcia, Tonel, Polga e Caneira; Custódio; Moutinho, Sá Pinto e Carlos Martins; Deivid e Liedson.

Os portistas entraram melhor no jogo e nos primeiros 15 minutos o Sporting não conseguiu criar jogo ofensivo. A partir do quarto-de-hora o equilíbrio surgiu e durou até ao intervalo. Ocasiões de golo houve poucas e as que houve os guarda-redes resolveram bem. Aos 28 minutos, Liedson isolou-se, tentou passar por Pepe e este cortou a bola com o braço. Estava em cima da linha de área e teria de ser penalty, mas a equipa de arbitragem optou pela solução mais prática, marcar... lançamento de linha lateral. À beira do intervalo McCarthy só não marcou porque Ricardo fez uma grande defesa. Ainda bem, porque o sul-africano estava claramente fora de jogo.

No segundo tempo o Sporting entrou melhor, mas o jogo depressa voltou a um grande equilíbrio. A meio desse período, o FC Porto teve as situações mais perigosas, principalmente após pontapés de canto. Mas a maior oportunidade surgiu quando Adriano recebeu um passe longo de Pedro Emanuel e atirou ao poste. Foi sol de pouca dura e o equilíbrio fez com que o 0-0 no fim dos 90 minutos fosse um resultado natural.

Na primeira parte do prolongamento quase nada se passou, excepto a complacência de Olegário Benquerença para com o já amarelado Bosingwa. No segundo tempo, tudo parecia estar na mesma quando Nani, que até nem tinha entrado bem no jogo, acreditou que podia roubar a bola a Cech, fê-lo e centrou de pronto para Liedson marcar de cabeça. Estavam jogados 109 minutos. Foi então que Co Adriaanse arriscou e trocou Pedro Emanuel por Hugo Almeida. Mas durante os minutos seguintes nada se jogou, com as quezílias a serem uma constante. E numa dessas quezílias, Deivid e Raul Meireles envolveram-se e viram justamente o cartão amarelo. Caneira e Lucho também resolveram aderir à cena e também acabaram amarelados. O problema é que para Caneira foi o segundo e deixou os leões com 10. Depois disso, e apesar de ser o FC Porto a ter motivos para estar nervoso, foi o Sporting quem se desconcentrou e, na única falha do centro da defesa, McCarthy chegou ao empate, após centro de Quaresma. Foi no minuto 115. Temi que os dragões cavalgassem para cima do Sporting, mas curiosamente a partir daí os leões praticamente não deixaram a equipa da casa chegar à sua baliza, antes levaram o jogo para junto da área portista. E numa das jogadas de ataque, Bosingwa viu o segundo amarelo, por uma falta que pareceu não ter existido sobre Tello. O jogo terminou logo a seguir. Nas grandes penalidades calhou a fava ao Sporting, pois Moutinho foi o único a falhar, permitindo a defesa de Vítor Baía, que voltou a ser herói depois do perú da Luz.

Em resumo, como disse Pinto da Costa, este jogo opôs as duas melhores equipas portuguesas da actualidade. Como quase sempre acontece entre grandes, a táctica sobrepôs-se ao risco e o jogo não foi de grande espectacularidade. Mas ainda há poucas semanas vi um Juventus-Milan brutalmente pior. O Sporting, com cerca de um terço do orçamento do FC Porto, provou pela segunda vez esta época que dentro do campo não deve nada ao seu adversário. Mesmo com uma equipa que há poucos meses estava desfeita em cacos, que apostou num treinador “imberbe”, que mudou parte do plantel em Janeiro e que vive uma crise directiva de enorme grandeza, o Sporting tem uma equipa de futebol da qual se pode orgulhar neste momento. A Taça já foi, na Liga ainda está tudo por decidir. E há um terceiro jogo com o FC Porto a caminho, desta vez finalmente na nossa casa. Se a Paulo Bento e a estes jogadores forem dadas todas as condições, acredito que pode nascer uma grande equipa em Alvalade. Assim o Sporting consiga evitar os tiros nos pés que têm marcado a sua história.

segunda-feira, março 20, 2006

Vitória saborosa mesmo com golo bizarro

Ao ganhar um dos jogos que eu mais temia até ao fim da Liga, por 1-0, o Sporting alcançou a sua oitava vitória consecutiva na prova (10 se contarmos os jogos da Taça) e o quinto jogo consecutivo sem sofrer golos (seis se contarmos também com a Taça). Assim, os leões mantêm os dois pontos de atraso em relação ao líder FC Porto, cinco de vantagem sobre o Benfica e sete sobre o Sp. Braga. O Boavista e o nosso rival Nacional perderam e afastaram-se irremediavelmente da luta pelos primeiros lugares.

Como já disse, estava muito receoso deste jogo em Leiria. Que União ia o Sporting encontrar? A que vinha de duas derrotas consecutivas em casa, ambas por 0-2, frente a adversários directos (V. Setúbal e Académica) e com más exibições realizadas? Ou a que antes disso tinha ganho ao Benfica por 3-1, num jogo em que deu uma lição de contra-ataque? Feliz ou infelizmente, não vimos nenhum desses Uniões no jogo de ontem.

O Leiria não esteve tão mal como nas duas derrotas, porque ontem não era um jogo em que tinha de tomar a iniciativa, mas sim onde podia jogar no esquema que mais gosta. Mas também não esteve tão brilhante como contra o Benfica. Aliás, o jogo de ontem foi completamente oposto desse. O que aliás seria de esperar, tendo em conta a forma como o Sporting joga. O Leiria dificilmente encontraria frente aos leões o espaço que teve frente aos homens da Luz, pois sabe-se que a consistência defensiva é a imagem de marca da equipa de Paulo Bento. Por isso mesmo, também o próprio Sporting não teve tantas oportunidades como o Benfica teve nesse jogo. Mas a vitória leonina foi justíssima e, como se costuma dizer, esteve sempre mais perto do 2-0 que do 1-1.

A meia-hora inicial até não augurava nada de bom para os leões. O Sporting não conseguia controlar o jogo a meio-campo e muito menos criar lances de perigo. Já a União, principalmente ao aproveitar a falta de Caneira no flanco esquerdo leonino, começou por criar alguns problemas aos de Alvalade. Mas tudo se resumiu a três ou quatro remates (quase todos de fora da área) que Ricardo defendeu sem problemas. A partir dos 30 minutos o Sporting tomou conta do jogo, mas apenas criou perigo num lance, em que Costinha defendeu bem um remate de longe de Carlos Martins.

Na segunda parte o Sporting entrou determinado a resolver o assunto e marcou logo aos 49 minutos. Foi um bom lance de Nani na esquerda da área leiriense, concluído com um cruzamento para a boca da baliza. Só que, pelo caminho, a bola bateu em Éder, João Paulo falhou a tentativa de corte e Costinha, que se lançava para o cruzamento, acabou por tocar a bola para a sua própria baliza. O Sporting, ao contrário do que acontece regularmente, desta vez manteve o controlo da bola após a vantagem. Logo a seguir Carlos Martins rematou de longe à trave, após a bola ter desviado num adversário. Uns minutos mais tarde, Tello marcou um livre e Fábio Felício cortou a bola com o braço. Penalty por marcar a favor dos de Alvalade. Depois mais um livre de Carlos Martins para defesa de Costinha e pouco mais. A União só se aproximou da baliza de Ricardo nos últimos 10 minutos, mas tudo o que conseguiu foi um remate de longe de Miramontes (pouco) ao lado.

O Sporting venceu bem, aguentou a por vezes tão falada e sobrevalorizada pressão de jogar depois dos adversários directos. Agora segue-se a visita ao Dragão para mais uma final, esta mascarada de meia-final da Taça de Portugal. Pode parecer um cliché, mas este é mesmo um jogo de tripla. Ou melhor, de 1 e 2, visto que na Taça já não há jogos de desempate e tudo terá de ficar resolvido na quarta-feira.

PS - Depois de algumas semanas de histeria, imagino que nos próximos dias o “dynamic duo” que lidera o Benfica vai voltar ao discurso de “vamos confiar nos árbitros”, “os árbitros têm uma missão difícil”, “os árbitros erram, mas os jogadores e os treinadores também” e por aí fora. É o pé na bola. Mas não deixa de ser irónico que o Rio Ave tenha tido azar em dois lances iguais nas recepções a FC Porto e Benfica. E ambos perto do fim dos jogos, pelo que foram alguns e importantes pontos que os vilacondenses perderam nestes dois encontros. O que podem os responsáveis vilacondenses fazer? Talvez aumentar o comprimento do relvado, digo eu.

FC Porto, 3 - Paços de Ferreira, 0

:: Cromo Repetido :: Porto com Passos Seguros

Desde a derrota com o Benfica, o FC Porto tem dado passos seguros em direcção ao título. Mesmo com o Sporting por perto e o Benfica não muito longe, o Porto tem conseguido normalmente evitar deslizes em jogos como este, que possuem sempre algum potencial para tal.

Anderson estreou-se a titular no campeonato aos 17 anos, mantendo o lugar que tinha ganho na taça, enquanto o castigado Pepe foi substituído por Cech (com Pedro Emanuel no centro).

Perante 30 mil espectadores que enfrentaram o mau tempo, o Porto demorou a entrar no ritmo. Não criou muitas oportunidades na primeira meia hora, até McCarthy ter arrancado para o golo no limite do fora-de-jogo, mas ainda em linha com um defesa que se atrasou em relação ao resto da linha. Com o empate desfeito, o Porto começou a mandar mais no jogo.

Foi perante um Paços praticamente inofensivo que o Porto fez o 2-0 logo na primeira jogada do segundo tempo, com um grande passe do miúdo Anderson e desvio oportuno de Adriano. O 3-0 viria com um bom passe de Lucho González para golo do suplente Lisandro López, que pouco depois falhou por pouco o 4-0. Um possível penalty sobre Adriano terá ficado por marcar, mas o jogo já estava resolvido com uma vitória segura do Porto.

Referência final para o Rio Ave - Benfica. Por norma só comento outros jogos quando tem mais relação com o Porto do que o normal, ou então quando as situações são realmente gritantes. Neste caso verificam-se ambas as condições. LF Vieira tem repetidamente justificado as falhas da sua equipa com os diversos jantares de Pinto da Costa; no entanto desta vez o árbitro Paraty (que substituiu perto da data do jogo o árbitro originalmente designado, lesionado) teve dois casos decisivos para julgar, e em ambos os casos a favor do Benfica. Primeiro anulou, na minha opinião mal, um golo perto do fim ao Rio Ave, para depois permitir o que eu entendo ser jogo perigoso a Mantorras para o golo do Benfica já nos descontos. Ao menos depois disto Vieira deve calar-se por uns tempos, se tiver algum juízo.

- 99 - Vitor Baía [-] - Mero espectador.
- 12 - Bosingwa [8] - Muito bom jogo, tanto a defender como a apoiar o ataque apesar do esquema de três defesas.
- 4 - Pedro Emanuel [7] - 1 assistência - Não seu deu muio por ele, mas esteve seguro no seu lugar preferido.
- 35 - Marek Cech [8] - Tal como Bosingwa, esteve muito bem.
- 18 - Paulo Assunção [7] - Mais uma vez, regular e útil.
- 16 - Raul Meireles [7] - Continua a contribuir decisivamente para o jogo fluido do meio-campo do Porto.
- 8 - Lucho González [7] - 1 assistência - Jogo discreto mas positivo, com uma bela assistência para o terceiro golo.
- 7 - Quaresma [8] - * - Poupado aos 60 minutos, driblou menos e cruzou mais do que é hábito, sempre com muito perigo; não deu nenhum golo, mas na minha opinião foi o jogador mais perigoso enquanto esteve em campo.
- 30 - Anderson [7] - 1 assistência - Além do bom passe para golo, o melhor que se pode dizer dele é que não se nota a sua idade; promissor.
- 28 -Adriano [7] - 1 golo - Marcou, "à ponta de lança", como se costuma dizer, e trabalhou bem.
- 9 - McCarthy [7] - 1 golo - Depois de ter decidido na Madeira, voltou a desempatar o jogo com um bom trabalho individual, tendo depois sido poupado bastante cedo na segunda parte.

- 11 - Lisandro López [7] - 1 golo - Voltou a entrar bem em campo, marcando um golo e vendo o guarda-redes negar-lhe o segundo.
- 25 - Ivanildo [7] - Jogador útil para ter no banco, apesar de um mau cruzamento e um mau remate foi sempre rápido e difícil de marcar.
- 39 - Hugo Almeida [-] - Quase ofereceu um golo a Ivanildo, mas esteve pouco tempo em campo.

quinta-feira, março 16, 2006

Meias-Finais da Taça de Portugal

O Sorteio desta tarde ditou os seguintes embates:

Porto Vs Sporting ---------------> Próxima Quarta-Feira

Vitória de Setúbal Vs Vitória de Guimarães ---------------> Próxima Quinta-Feira

Serão sem dúvida dois embates interessantes de seguir. Tudo é possível, mas o meu desejo para a final do Jamor (14 de Maio) vai para um Vitória de Setúbal Vs Sporting...
Será que me fazem a vontade?

Marítimo, 1 - FC Porto, 2

:: Cromo Repetido :: Regresso ao Rádio

Sem transmissão televisiva, apenas ouvi partes do relato deste jogo dos quartos de final da Taça de Portugal. Vi depois um mini-resumo, mal filmado, em que uns lances mereceram repetição e outros não, pelo que os meus comentários serão breves.

Com Raul Meireles a cumprir castigo, entrou Marek Cech na equipa. Anderson foi também chamado ao onze, para o lugar de Lisandro López. Mais tarde, Bruno Alves viria a substituir o brasileiro na sequência da expulsão de Pepe.

O FC Porto venceu por 2-1, após prolongamento, com ambos os golos a serem apontados por McCarthy. O sul-africano marcou ainda outro golo pelo meio, que na altura seria o 2-0, mas que foi invalidado por fora-de-jogo (pelas imagens televisivas creio que nunca se saberá se foi bem ou mal anulado).

Com Lucílio Baptista a apitar, os vários casos do jogo pareceram constituir a história do mesmo, e centraram-se quase todos em Pepe. Primeiro há um lance em que Pepe desvia um cruzamento com o braço (pese embora a recente onda de simpatia pelos movimentos de braços involuntários dos jogadores, dá-me ideia que deveria ter sido penalty), depois há um penalty assinalado a Pepe quando este não parece tocar no jogador do Marítimo (resultando no 1-1), e finalmente há o segundo cartão amarelo a Pepe no início da segunda parte por este ter exagerado na protecção da saída da bola junto à linha de fundo ao levantar os braços (não foi possível verificar se tocou realmente no adversário, mas o seu movimento colocou-o nas "mãos" de Lucílio).

Contas feitas, McCarthy viria a decidir o jogo no prolongamento, oferecendo ao Porto uma vitória suada depois de ter jogado mais de 60 minutos com um jogador a menos.

quarta-feira, março 15, 2006

Sem surpresas...


Vitória, 1 - Boavista, 1 (2 - 1 após prolongamento)

Marítimo, 1 - Porto, 1 (1 - 2 após prolongament0)

Académica, 0 - Sporting, 2

Benfica, 0 - Guimarães, 1



Seguem-se as meias-finais...
Alguém tem desejos a fazer para o sorteio?

terça-feira, março 14, 2006

Taça de Portugal (QUARTOS-DE-FINAL)

Quem vai passar? Quem vai passar?


15h00 ----------> Vitória Vs Boavista

18h30 ----------> Marítimo Vs Porto

20h30 ----------> Académica Vs Sporting

20h45 ----------> Benfica Vs Guimarães


Aceitam-se palpites!

segunda-feira, março 13, 2006

V. Setúbal, 0 - FC Porto, 2

:: Cromo Repetido :: Porto Seguro no Sado

Continua a mostrar boa capacidade de reacção ao desaire sofrido na Luz, este FC Porto de Adriaanse. Depois de bater o Nacional por 3-0, obteve agora uma vitória com exibição consistente no terreno de um Vitória de Setúbal em queda livre nos últimos tempos, mas mesmo assim ainda em sétimo lugar.

Com Lisandro López justificadamente de volta ao 11, Paulo Assunção de volta após castigo, e com Diego ainda fora dos convocados, o FC Porto não mudou muito. Encontrou alguma resistência na defensiva equipa setubalense até Adriano marcar de cabeça na sequência de canto apontado por um cada vez melhor Raul Meireles. Já antes a melhor ocasião pertencera a Pepe, que não chegou por poucos centímetros a um cruzamento mortífero.

O FC Porto não passou por grandes sustos, tendo feito o 0-2 após bom trabalho de Quaresma em contra-ataque e concretização de cabeça de Raul Meireles. A partir daí o Porto tornou-se mais senhor do jogo do que já era, trocando bem a bola frente a um Setúbal que parece pouco habituado a atacar e pouco disposto a pressionar.

Pelo menos por três vezes o Porto esteve perto do terceiro golo, com McCarthy a desmarcar-se bem, Lucho com outro belo remate de recarga, e o suplente Hugo Almeida a desviar um pontapé de canto para o poste.

- 99 - Vitor Baía [7] - Não esteve muito ocupado, mas mostrou-se seguro.
- 12 - Bosingwa [6] - Teve um par de hestiações perante uma equipa que ameaçou pouco, mas foi resolvendo com a sua velocidade.
- 14 - Pepe [7] - Mais uma boa exibição, mesmo que com menos trabalho do que noutros jogos.
- 4 - Pedro Emanuel [6] - Pouco capaz de apoiar o ataque, não foi suficientemente testado na defesa para sobressair mais.
- 18 - Paulo Assunção [7] - A regularidade habitual.
- 16 - Raul Meireles [8] - 1 golo, 1 assistência - * - O melhor jogo da época até agora para Meireles, que começa a mostrar cada vez mais qualidades na forma como se movimenta no meio-campo ofensivo e defensivo.
- 8 - Lucho González [7] - Bom jogo, sobretudo inteligente.
- 7 - Quaresma [7] - 1 assistência - Bela assistência para o golo de Meireles, num jogo bastante razoável; teve um lance infeliz ao lesionar acidentalmente um adversário.
- 11 - Lisandro López [5] - Regressou após ter entrado bem contra o Nacional, mas teve um jogo pouco influente na manobra da equipa.
- 28 - Adriano [7] - 1 golo - Marcou o golo que desequilibrou o jogo na sequência de bola parada, algo que qualquer equipa que queira lutar por títulos tem que conseguir fazer; de resto foi o esforço do costume.
- 9 - McCarthy [6] - Não esteve mal, movimentou-se bem, mas faltou sorte.

- 35 - Marek Cech [-] - Pouco tempo em campo.
- 39 - Hugo Almeida [-] - Jogou um par de minutos, mas ainda enviou uma bola ao poste na sequência de um canto.

domingo, março 12, 2006

Mais três pontos em algo já visto

Primeira parte: lance de bola parada, assistência de Liedson e golo de calcanhar de Tonel. Segunda parte: perto do fim, penalty para o Sporting, Sá Pinto atira mal e de forma denunciada, o guarda-redes adversário defende e os leões sofrem até ao apito final. Foi assim que o Sporting venceu o Belenenses, no Restelo, por 1-0, em jogo da 18ª jornada da Liga. Foi assim que o Sporting venceu o Boavista, em Alvalade, por 1-0, em jogo da 26ª jornada da Liga. Não há dois jogos iguais, mas a História, por vezes, repete-se.

O jogo de ontem, em Alvalade, com mais de 34 mil espectadores na bancada, era um dos obstáculos mais difíceis que o Sporting tinha de ultrapassar até ao final da Liga. Mesmo desfalcado de quatro unidades, todas castigadas (e bem, pelo que se pôde ver no jogo com o Sp. Braga, apesar das naturais desconfianças que semelhante coincidência provoca nos rivais), o Boavista está a atravessar um bom momento e é claramente uma equipa cínica, matreira, que defende bem e aproveita a maior parte das oportunidades de golo.

O Sporting apresentou-se com quatro alterações em relação à Vitória sobre o Gil Vicente: Caneira recuperou o seu lugar na esquerda da defesa, em detrimento de Tello; Carlos Martins, depois de dois jogos ausente, jogou no lugar de Nani; Liedson, naturalmente, substituiu Douala; Koke, o herói da jornada anterior, atirou Deivid para o banco.

O jogo foi decidido logo aos 19 minutos: Carlos Martins marcou um livre na direita, William defendeu para a frente e Liedson, rapidamente, colocou a bola na entrada da pequena área, onde Tonel, à Madjer, rematou de calcanhar para o fundo da baliza. A partir daí, o Sporting alternou alguns bons momentos com outros em que, como tem sido recorrente, não consegue ter o domínio da bola longe da sua baliza. O Boavista teve alguns períodos em que empurrou o Sporting para trás. Consequência? Muitos cruzamentos para a área, alguns remates de longe e nenhuma oportunidade de golo. Os leões podiam ter feito o 2-0 em algumas ocasiões, com destaque para o cabeceamento de Liedson ao poste, aos 36 minutos, e para o penalty falhado por Sá Pinto, aos 79 minutos, após mão de Areias na área boavisteira.

Com este resultado, o Sporting mantém os dois pontos de atraso em relação ao FC Porto, que venceu facilmente em Setúbal, na sexta-feira. Agora seguem-se duas deslocações difíceis ao centro da país: Académica, para a Taça, na quarta-feira, e União de Leiria, para a Liga, no domingo. Ontem dois jogadores brilharam acima dos outros: Tonel marcou o golo e esteve intransponível na defesa e Liedson não marcou, mas esteve em quase todos os lances de perigo do Sporting e ainda recuperou inúmeras bolas, graças a uma atitude exemplar. No Boavista, dos três elementos menos utilizados que substituiram os castigados apenas Figueredo (jogou no lugar de João Pinto) não se fez notar. Essame (substituto de Tiago) e Cissé (no lugar de Cadu) estiveram em bom plano, se bem que o segundo não devesse ter acabado o jogo, pois fez duas faltas claramente merecedoras do segundo cartão amarelo. No final destaque para o fair-play de Carlos Brito. Muitos treinadores ficam com azia depois de perderem com o Sporting, mas o técnico do Boavista foi capaz de dar os parabéns ao Sporting e à equipa de arbitragem.

quinta-feira, março 09, 2006

Jornada 26

Pois é! A 26ª jornada está aí.
Em destaque, temos:
  • Vitória Vs Porto (6ª Feira);
  • Sporting Vs Boavista (Sábado);
  • Benfica Vs Naval (Domingo);
  • Belenenses Vs Braga (2ª Feira).

O jogo grande da jornada 26 é disputado no Alvalade XXI... De entre os candidatos à conquista do título de Campeão Nacional, não há dúvida que o Sporting é aquele que tem pela frente o mais difícil desafio. O Boavista é uma equipa combativa e que vem a Lisboa para discutir os 3 pontos de igual para igual. Pela frente vai encontrar um Sporting de personalidade forte, que no entanto não poderá em momento algum acreditar em facilidades que sabe de antemão: SÃO PURA ILUSÃO!

Calmamente, assistir-se-á a mais uma jornada com futebol de qualidade na competição maior do futebol em Portugal.

segunda-feira, março 06, 2006

Autocarro difícil de ultrapassar

O Sporting ultrapassou mais um obstáculo nesta edição da Liga, ao vencer em Alvalade o Gil Vicente por 2-0, alcançando a sexta vitória consecutiva na prova e conseguindo o seu terceiro jogo completo sem sofrer golos, naquelas que são as melhores séries da época. Os leões continuam assim a dois pontos do líder FC Porto e com três de avanço sobre o Benfica, aumentando vantagem para os outros rivais, Sp. Braga, Boavista e Nacional.

Depois de uma semana em que José Peseiro voltou a colocar-se em bicos de pés, auto-elogiando-se e auto-vitimizando-se pela sua passagem por Alvalade, mostrando que ainda não percebeu (perceberá, alguma vez?) que tudo ou quase tudo o que de mau lhe aconteceu (e, pior de tudo, que de mau aconteceu ao Sporting), deveu-se à sua própria incapacidade, o Sporting voltou a alcançar uma vitória ao seu novo estilo. O espectáculo é algo de prescindível, se colocar em causa os resultados. Foi assim que o Sporting foi campeão em 1999/2000 e é assim que se posicionam os líderes e prováveis campeões das melhores ligas europeias. Chelsea, Juventus e Bayern Munique são equipas de 1-0, o Lyon é um misto e apenas o Barcelona consegue conciliar vitórias com espectáculo a tempo inteiro. Com Ronaldinho, Eto’o, Messi, Deco e Xavi seria difícil jogar um futebol feio.

Ontem, o Gil apresentou-se em Alvalade num 5x3x2 pouco elástico, em que apenas os extremos Carlitos e Nandinho (Rodolfo Lima a partir dos 10 minutos) tinham ordem para invadir o meio-campo leonino. O Sporting jogou no seu esquema habitual, mas com duas nuances importantes. Tello substituiu o castigado Caneira na esquerda da defesa e com isso o Sporting ganhou mais profundidade ofensiva por aquele flanco. Liedson também estava suspenso e foi substituído por Douala. Aqui as coisas não resultaram, pois o camaronês nunca será um substituto do levezinho. Douala pode jogar na frente numa equipa de contra-ataque, numa de ataque continuado terá de jogar como extremo. Paulo Bento acabou por perceber isso e em bom tempo fez entrar o estreante Koke, que resolveu o jogo.

O encontro é fácil de descrever: uma equipa a atacar e outra a defender. Mesmo com pouca inspiração o Sporting teve oportunidades suficientes para marcar mais cedo. Mas Paulo Jorge, que por vezes dá frangos monumentais, ontem teve uma das suas noites boas. Até ao primeiro golo de Koke, aos 69 minutos, num belo remate cruzado após passe de Deivid, o Gil tinha incomodado Ricardo apenas uma vez, a 10 minutos do intervalo, num remate de Carlitos de fora da área. Depois do golo aconteceu o habitual, aquilo que leva a que ainda não se possa considerar o Sporting uma grande equipa. Mais uma vez, os leões não conseguiram gerir a vantagem com posse de bola, no meio-campo adversário. Ao marcar um golo, a equipa de Paulo Bento não se sabe adaptar a essa nova fase do jogo e automaticamente cede a bola ao adversário e recua no terreno. Até agora, tal comportamento não tem causado dissabores, porque a organização defensiva é cada vez melhor e os adversários chegam perto da área leonina com alguma facilidade, mas, lá dentro, pouco perigo conseguem criar. O mesmo aconteceu ontem. Já em período de compensação, com o Gil finalmente adiantado no terreno, Moutinho isolou-se pela esquerda, passou por Paulo Jorge e rematou para a baliza, mas Koke tocou na bola antes de ela entrar, pelo que o golo foi atribuído ao espanhol. Só depois disso os gilistas criaram uma semi-ocasião, com um remate de longe de Bruno Tiago a passar perto da baliza de Ricardo.

Para a semana, o Sporting tem um dos jogos mais difíceis da época, ao receber o Boavista. Frente a frente estarão as duas melhores equipas da segunda volta, com sete vitórias e um empate cada uma. Os axadrezados vão a Alvalade desfalcados de alguns jogadores importantes, como o melhor marcador, João Pinto. Mas sinceramente, temo muito mais a velocidade e poder de remate de José Manuel. Espero que ele se porte bem e que o Sporting, já com Liedson e Caneira (e talvez Carlos Martins), some a sétima vitória consecutiva, mantendo o FC Porto sob pressão.

FC Porto, 3 - Nacional, 0

:: Cromo Repetido :: 7% do Carinho

O FC Porto venceu o complicado Nacional de forma convincente, na ressaca da derrota na Luz, e continua líder. Marcou dois golos na primeira parte, o que é raro, e respondeu às tentativas de ataque do Nacional com golos. Falhou oportunidades, várias; mas concretizou quando era mais importante, e, mesmo sem Paulo Assunção (castigado), voltou a não sofrer golos (Porto e Braga possuem de longe as melhores defesas do campeonato). A equipa de arbitragem foi deixando jogar, com vários lances de alguma dúvida de ambos os lados a nível de bola na mão e de fora-de-jogo, mas nada de flagrante.

Marcou primeiro McCarthy, regressando aos golos após bom passe de Adriano. Pepe, na sequência de um livre, fez o 2-0 ainda na primeira parte. O Nacional tentava reagir no início do segundo tempo, dispondo de um par de boas oportunidades, quando Lucho González matou o jogo num bom remate de recarga.

Deu ainda para estrear o jovem Anderson, de 17 anos, na meia hora final. Ainda muito verde, o miúdo mostrou mesmo assim qualidades, e podia mesmo ter tido uma estreia de sonho quando se encontrou isolado perante o guarda-redes do Nacional, que defendeu com o pé.

Nas bancadas acabou por haver mais que contar. Os Super Dragões fizeram outro protesto, começando a cantar apenas à meia hora de jogo. Neste seu amuo com Adriaanse, fazem-me lembrar uma publicidade ao leite -- aquela que critica os produtos com uma percentagem de leite, perguntando se quer dar só 7% de carinho aos seus filhos. Os SD só deram 60% de apoio à equipa, e o estádio assobiou quando decidiram começar o karaoke à meia hora. É que antes tinham preferido mostrado mensagens; a primeira culpando Adriaanse da humilhação(?) na Luz, tendo sido também aí ouvida uma vaia por todo o estádio.

Os Super Dragões não falam pelos restantes sócios ou simpatizantes. Na realidade, não falam por mais ninguém, e isso ficou bem claro. O FC Porto já ganhava títulos muito antes dos Super Dragões existirem, e vai continuar a ganhá-los muito depois de deixarem de existir. Continuando por este caminho, a situação é no mínimo embaraçosa para qualquer adepto cuja primeira preocupação seja ver a equipa vencer.

- 99 - Vitor Baía [8] - Duas excelentes defesas quando necessário garantiram que o jogo anterior ficou para trás.
- 12 - Bosingwa [7] - Concentrado no seu trabalho defensivo, não se aventurou mas cumpriu bem a sua missão.
- 14 - Pepe [8] - 1 golo - Além de outra boa exibição defensiva, marcou um bom golo na sequência de um canto.
- 4 - Pedro Emanuel [7] - Tal como Bosingwa, regular numa defesa que voltou a funcionar.
- 16 - Raul Meireles [7] - 1 assistência - Não é Paulo Assunção, mas num jogo que correu bem teve uma exibição positiva.
- 35 - Marek Cech [7] - Adaptado ao meio-campo, teve alturas em que parecia um pouco perdido, mas acabou por ter várias iniciativas de qualidade.
- 8 - Lucho González [8] - 1 golo - Mais um golo do argentino, numa recarga com muita qualidade técnica, tendo de resto estado ao nível do resto da equipa.
- 7 - Quaresma [7] - Continua a não ser o Quaresma decisivo, mas mesmo assim é um jogador acima da média.
- 25 - Ivanildo [7] - Nem tudo lhe correu bem, mas o trabalho defensivo e a persistência no terceiro golo são bons sinais.
- 28 - Adriano [6] - 1 assistência - Um bom passe para o golo de McCarthy parecia prometer melhor, mas a sua exibição acabou perdida em duelos físicos com os defesas e pouco mais.
- 9 - McCarthy [8] - 1 golo - * - Muito móvel, pareceu motivado e em boa forma, tendo ainda feito o golo inaugural.

- 11 - Lisandro López [7] - Mostrou finalmente subida de forma, com uma bela entrada em jogo; esteve perto de marcar num remate cruzado.
- 30 - Anderson [7] - O jovem brasileiro falhou na cara do guarda-redes, mas mostrou vários bons lances e integrou-se bem na equipa num jogo propício à sua estreia.
- 6 - Ibson [7] - Vítima do excesso de jogadores de qualidade no meio-campo, Ibson teve uma pequena participação que foi suficiente para lembrar todos da sua qualidade.

sábado, março 04, 2006

Sporting - Gil Vicente (Jornada 25)

Mais uma final!
Personalidade, ambição, mas também humildade!
É só isso que é preciso!
O jogo tem 90 minutos e é nesse período que se tem de provar para quem são os 3 pontos!
Esta é mais uma etapa...
Força Sporting!