segunda-feira, abril 24, 2006

Não há duas sem três?

Em 2003/04 o Sporting perdeu três dos últimos quatro jogos do campeonato e ofereceu o segundo lugar ao Benfica, com o consequente acesso à pré-eliminatória da Liga dos Campeões. Em 2004/05 o Sporting perdeu os dois últimos jogos do campeonato e ofereceu o título ao Benfica e o segundo lugar ao FC Porto, que assim alcançou o acesso directo à Liga milionária. Em 2005/06 o Sporting já leva três jogos sem vencer e, depois de ter perdido o título para o FC Porto, parece apostado em oferecer ao Benfica o segundo lugar.

Na 32ª jornada o Sporting empatou em casa a zero com a Naval, um resultado inadmissível para quem tem ambições. Isto depois de uma derrota e um empate nos dois jogos anteriores, ainda por cima sem marcar qualquer golo. Depois de terem batido o recorde de minutos sem sofrer golos, os leões parecem agora querer bater um recorde de minutos sem marcar. Já lá vão 279.

O jogo de Alvalade conta-se em poucas palavras. O Sporting fez greve na primeira parte. Apenas criou perigo num lance, cerca da meia-hora, em que Carlos Martins, isolado, rematou com displicência para fora. No segundo tempo, a equipa mostrou mais vontade, mas aconteceu-lhe o normal nestas situações. Não conseguiu marcar cedo e depois começaram a aparecer os nervos e logo se percebeu que a vitória seria um milagre. É certo que ficaram dois penalties por marcar a favor do Sporting, mas penso que uma equipa só tem moral para se queixar se fizer o seu trabalho. E os leões claramente não fizeram o que deviam para vencer uma muito acessível equipa da Naval. Os figueirenses fizeram o normal para uma equipa tão limitada. Queimar tempo, simular lesões e tentar um ou outro contra-ataque. Criaram uns quantos lances de perigo, mas nenhuma oportunidade flagrante de golo.

Ah, já me esquecia: o meu “amigo” Sá Pinto voltou a mostrar a sua qualidade. Em termos futebolísticos esteve abaixo de cão, como já habituou os adeptos. Para terminar em beleza fez-se expulsar perto do fim, por protestar com o árbitro auxiliar. Parece que esteve quase a agredi-lo, mas controlou-se, o que foi pena, pois sem dúvida que seria um final apropriado para a sua carreira. Assim, espero que a Comissão Disciplinar da Liga seja justa e lhe aplique pelo menos dois jogos de suspensão, de modo a impedi-lo de voltar a jogar com a camisola leonina.

Agora o Sporting, para ir à Liga dos Campeões, precisa de uma vitória e de um empate nas duas últimas jornadas, onde joga fora com o Rio Ave e em casa com o Sp. Braga. Ou seja, os leões só dependem de si próprios para assegurar o segundo lugar. E é isso que me preocupa.

domingo, abril 23, 2006

Penafiel, 0 - FC Porto, 1

:: Cromo Repetido :: Campeões

O FC Porto sagrou-se em Penafiel campeão nacional da época 2005/06, com uma vitória tangencial sobre o último classificado. O Penafiel, presidido por António Oliveira, foi um adversário digno, dentro das suas consideráveis limitações, apesar de há muito despromovido. O FC Porto obteve uma vitória cinzenta, mas suficiente para selar a conquista do título a duas jornadas do fim.

O jogo em si teve pouca história. Mesmo sem os castigados Quaresma e Lucho, praticamente apenas o Porto teve posse de bola e jogadas de ataque, com o Penafiel a chegar à baliza portista só num par de ocasiões. McCarthy teve diversos remates, o mais perigoso dos quais ao poste; Jorginho já antes tinha enviado um canto directo à barra.

O golo que garantiu o título antecipado seria marcado no início do segundo tempo por Adriano, na conversão de grande penalidade a castigar falta sobre Ibson. Inicialmente fica a ideia de Ibson ter sido rasteirado; no entanto o segundo ângulo de repetição mostra que Ibson terá tropeçado sozinho. Adriano não falhou, e até final assistiu-se a uma sucessão de ocasiões de golo negadas pelo guarda-redes Nuno Santos.

O final do jogo ficou marcado por uma invasão de campo antecipada, com a triste e habitual caça aos jogadores a começar antes da hora. Restabelecida a relativa normalidade no pequeno palco do Penafiel, jogaram-se então os minutos finais. Em todo o caso, é sempre de lamentar este tipo de comportamento nada civilizado.

Uma análise mais detalhada da época ficará para depois da final da Taça de Portugal. No entanto, esta é desde já e claramente uma vitória pessoal de Co Adriaanse, que resistiu aos seus críticos e implementou uma táctica de resultados irrepreensíveis a nível interno neste ano de 2006. A maioria dos jogadores mais utilizados sagrou-se campeão pela primeira vez, num grupo jovem que viu alguns elementos revelarem-se nesta época: Pepe e Paulo Assunção são escolhas naturais, com Quaresma na primeira metade da época e Raul Meireles na segunda a destacarem-se também.

Falta agora cumprir calendário, com celebração no Dragão frente ao Guimarães e no Bessa frente ao Boavista, antes da final da Taça.

- 1 - Helton [-] - Apenas uma defesa, nos momentos finais, a um remate à figura.
- 12 - Bosingwa [6] - Pouco que fazer na defesa, alguns maus passes na saída para o ataque.
- 4 - Pedro Emanuel [6] - Pouco a dizer. Não parece ser o jogador ideal para a posição que tem ocupado.
- 14 - Pepe [7] - Novamente o melhor dos defesas, mesmo sem grande trabalho.
- 18 - Paulo Assunção [7] - A regularidade habitual.
- 6 - Ibson [8] - * - Aproveitou a oportunidade para mostrar a sua inegável qualidade e destacar-se dos restantes; deveria manter o lugar para os dois jogos finais e ter oportunidade de dar continuidade ao seu trabalho no clube na próxima época.
- 16 - Raul Meireles [7] - Nem tudo lhe saiu bem, mas continua em boa forma.
- 27 - Alan [5] - Perdeu-se demasiado em dribles escusados e tirou vários cruzamentos errados.
- 17 - Jorginho [6] - Pouco inspirado.
- 28 - Adriano [7] - 1 golo - Marcou o penalty que deu a vitória, tendo no geral feito uma exibição positiva; só por azar não fez o segundo golo.
- 9 - McCarthy [6] - Não andou longe do golo, mas nem sempre esteve bem na finalização.

- 39 - Hugo Almeida [6] - Superiorizou-se em vários lances por alto, mas não conseguiu concretizar.
- 25 - Ivanildo [6] - Pouco a referir.
- 11 - Lisandro López [-] - Pouco tempo em campo.

domingo, abril 16, 2006

Benfica aquece corrida para a Champions

Num terreno sempre difícil, os encarnados venceram o Boavista e aproveitaram da melhor forma o deslize do Sporting na Reboleira (0-0), relançando a discussão pelo segundo lugar da Liga.

Koeman apresentou a sua equipa com Nélson do lado direito da defesa, e Karagounis como médio ofensivo pautando o jogo. Manduca e Simão jogavam nas alas, e Miccoli era a referência de ataque.Por seu lado, Carlos Brito tinha em Fary o elemento mais ofensivo da equipa, com João Pinto e Lucas a “alimentar” o avançado senegalês. Hélder Rosário substitui o castigado Ricardo Silva no eixo da defensiva axadrezada.

Os primeiros minutos foram de domínio encarnado, mas sem criar grandes ocasiões de perigo junto do último reduto do Boavista. O primeiro lance de registo pertenceu a Manduca, com o remate a sair muito perto do poste direito da baliza de William. À medida que os minutos iam passando, as equipas acabaram por encaixar, a qualidade de jogo caiu drasticamente e a falta de criatividade dos dois conjuntos era gritante. Por isso, não foi de estranhar que se chegasse ao intervalo com um justíssimo nulo no marcador. Antes da indicação de Bruno Paixão para o descanso, João Pinto obrigou Moretto a uma defesa apertada, evitando, assim, o primeiro tento da partida. De salientar, também, as lesões de Léo e William que foram forçados a sair do terreno de jogo, dando a sensação que a lesão do lateral brasileiro poderá ser grave.

Na etapa complementar, o Benfica surgiu uns furos acima do que tinha mostrado até então e acabou por chegar ao golo num lance feliz. Simão cobrou um livre, na esquerda, e Tiago, de cabeça, desviou para a sua própria baliza, traindo Khadim. No minuto seguinte, Miccoli poderia ter sentenciado o encontro, mas o guarda-redes do Boavista, com uma excelente intervenção, negou que o marcador sofresse nova alteração.

Os homens de Carlos Brito tentavam reagir à desvantagem, mas raramente conseguiram incomodar Moretto. O tento da tranquilidade do ainda campeão nacional chegaria quase ao cair do pano. Simão conduziu de forma primorosa um contra-ataque e colocou na “cara do golo” Mantorras que, frente ao desamparado Khadim, só teve de empurrar para o fundo da baliza. Os jogadores do Bessa reclamaram um alegado fora-de-jogo e, na sequência dos protestos, Hélder Rosário viu a cartolina vermelha.

Com este triunfo, o Benfica encurtou para dois pontos a diferença que tem do Sporting, aquecendo assim a luta pela a entrada directa na Liga dos Campeões.

sábado, abril 15, 2006

FC Porto, 1 - U. Leiria, 0

:: Cromo Repetido :: Passo Importante

Entre a vitória no terreno do Sporting e a deslocação a Penafiel, era fundamental para as aspirações do FC Porto derrotar em casa a União de Leiria. Tranquila na classificação, a equipa de Leiria é reconhecidamente perigosa fora de casa, e ao FC Porto não convém deixar demasiadas decisões para as duas últimas jornadas.

O Porto teve uma entrada em jogo bastante razoável, mas acabou por ter poucas situações de golo. Do outro lado, o Leiria trocava bem a bola, mas, apesar de ter unidades de contra-ataque ameaçadoras, não foi capaz de criar nenhuma situação real de golo em todo o jogo.

Jorginho teria sofrido falta para penalty, não fosse encontrar-se em situação de fora-de-jogo. Raul Meireles faz o primeiro de vários bons remates de fora da área, mas Costinha viria sempre a negar-lhe o golo. Paulo Gomes agride um companheiro de equipa(!), mas o árbitro está de costas e o jogador do Leiria escapa à consequente expulsão.

Com o jogo a aproximar-se do intervalo, pouco havia para contar; até Paulo Assunção iniciar um bom lance de contra-ataque, que, contando com um desvio do seu passe em Éder, viria a sobrar para McCarthy cruzar e Adriano (em posição legal relativamente à linha da bola) fazer o golo à boca da baliza.

Se é verdade que o Leiria veio para o segundo tempo claramente disposto a criar mais perigo, também não deixa de o ser que isso nem deu grandes frutos nem durou muito tempo. Mesmo sem os castigados Bosingwa e Quaresma (este último devido a processo sumaríssimo), o Porto recuperou o domínio do jogo. Não fazia uma boa exibição, mas o 1-0 não chegava a parecer um resultado muito perigoso à medida que o jogo se aproximava do final.

Isto até Elmano Santos, até aí com uma exibição razoável, ter decidido que o campeonato precisava de mais alguma emoção. A dez minutos do fim, deixa passar uma carga evidente sobre Adriano no ataque do FC Porto, para depois na sequência do lance dar o segundo amarelo a Lucho por uma falta que, embora existente, parece insuficiente para o referido castigo.

Até final o Leiria voltou a acreditar, mas nem assim criou perigo. O Porto venceu, voltou uma vez mais a não sofrer golos, e deu um passo importante rumo ao título. Terá agora que evitar fazer o mesmo que o Manchester United fez este fim de semana perante o Sunderland, e conquistar os três pontos no terreno do muito último Penafiel.

Uma nota final para Adriaanse, ausente do país durante uma semana em que faleceu o seu pai e a sua mãe com dois dias de intervalo. O golo foi-lhe dedicado por toda a equipa, e penso que Adriaanse nem deveria ter regressado da Holanda para este jogo. Começa a ser difícil aos muitos que antipatizaram com ele durante quase todo o ano continuarem com a mesma atitude.

- 1 - Helton [7] - Pouco que fazer, mas como tem sido habitual esteve seguro.
- 4 - Pedro Emanuel [6] - Não cometeu grandes erros, mas raramente parece muito bem integrado no esquema de três defesas.
- 14 - Pepe [8] - Outro jogo de grande qualidade frente a um adversário com alguns jogadores rápidos e tecnicamente fortes na frente.
- 35 - Marek Cech [6] - Substituído ao intervalo por Ricardo Costa, esteve discreto.
- 18 - Paulo Assunção [8] - A eficácia habitual a defender, desta vez acompanhada por mais algumas boas incursões ofensivas.
- 16 - Raul Meireles [8] - * - Na ausência de Quaresma, acabou por ser o mais perigoso da equipa: pelo menos três remates muito bons de fora da área, vários passes de longa distância de elevada qualidade, e um bom trabalho de recuperação de bola deste jovem médio que se vai revelando muito completo.
- 8 - Lucho González [6] - Não estava a ter um jogo muito positivo, acabando duramente expulso por segundo amarelo. Embora ambas sejam muito questionáveis, acaba por ser a segunda expulsão seguida por duplo amarelo na equipa do Porto, depois de Bosingwa frente ao Sporting, o que não tem sido nada habitual este ano.
- 17 - Jorginho [7] - Começou na direita e acabou no meio, mostrando-se mais confiante e criativo.
- 27 - Alan [6] - Jogou em ambos os flancos, agarrando-se demasiado à bola e variando lances positivos com outros algo exasperantes.
- 28 - Adriano [7] - 1 golo - Trabalhou sempre, marcou um golo simples, e fez um belo passe para Ivanildo, que não conseguiu bater Costinha.
- 9 - McCarthy [6] - 1 assistência - Uma hora em campo na qual o melhor que fez foi claramente a assistência para o golo, não tendo de resto estado muito inspirado.

- 3 - Ricardo Costa [6] - Entrou ao intervalo para o lugar de Cech, tendo cumprido sem se destacar.
- 25 - Ivanildo [6] - Começou mal, falhou uma boa situação a parte de Adriano, e teve depois um bom remate de primeira, mas parece ter perdido ritmo.
- 6 - Ibson [-] - Entrou a cinco minutos do fim para ocupar o lugar deixado vago no meio-campo por Lucho.

sábado, abril 08, 2006

Sporting, 0 - FC Porto, 1

:: Cromo Repetido :: A Vitória do Mal-Amado

A cinco jornadas do final e com dois pontos a separar as equipas no topo da classificação, este Sporting - FC Porto foi vendido pela comunicação social como o jogo do título. Na minha opinião, nada mais errado. Apenas um dos três resultados possíveis ajudaria de forma significativa a perceber quem seria o próximo campeão nacional; e mesmo esse, a vitória do FC Porto, deixava o Sporting com a missão de recuperar 6 pontos em 12 possíveis, que embora muito difícil, não é impossível.

O FC Porto irá receber a União de Leiria e o Vitória de Guimarães, visitando Penafiel e Boavista. Excluindo o Penafiel, parece-me inquestionável a qualidade das outras três equipas (pese embora a má carreira do Guimarães, que até lhes deverá aguçar a necessidade de obter um bom resultado). Entretanto o Sporting visitará o Estrela da Amadora e o Rio Ave, e receberá a Naval e o Sporting de Braga. A mim parece-me um calendário significativamente mais acessível, incluindo o facto de jogar a última jornada em casa. Assim sendo, este parecia-me um jogo importante na luta pelo título, mas em caso algum o jogo decisivo.

Com o golo de Jorginho aos 84 minutos que ditou o resultado, o FC Porto coloca-se a uma diferença pontual que permite encarar este calendário mais complicado com maior optimismo. A consistência a nível de resultados que a equipa tem demonstrado em 2006, juntamente com a subida de moral que esta vitória proporciona, tornam o FC Porto um claro favorito ao título; mas ainda faltam muitos minutos para jogar com a mesma concentração.

Feito este preâmbulo sobre as contas do campeonato, o primeiro facto a referir sobre o jogo terá que ser a chamada à ultima hora do árbitro Duarte Gomes para o lugar do lesionado Pedro Proença. Isto porque a exibição nervosa do árbitro, num verdadeiro festival de cartões, estará certamente no centro da maioria das discussões acerca deste jogo.

Com Jorginho e Lisandro López em campo, nos lugares de Adriano e do lesionado Marek Cech, o FC Porto apresentava um 3-4-3 para contrariar o 4-4-2 habitual implementado por Paulo Bento no Sporting.

O FC Porto teve um golo anulado por volta do minuto 15, lance no qual o árbitro assistente descortinou muito bem fora-de-jogo a Lisandro López. No minuto seguinte Lucho González disparou uma das suas perigosas recargas contra um adversário, e na resposta João Moutinho só não marcou porque Helton defendou o seu remate um pouco atabalhoado.

Pelo meio, Duarte Gomes foi distribuindo cartões, nem sempre com o melhor critério. Pouco passava do minuto 20 quando acabou por se fazer notar pela não marcação de uma falta cometida por Carlos Martins sobre Raul Meireles na saída para o contra-ataque, dado que me parece que a referida falta resultaria necessariamente no segundo cartão amarelo ao médio do Sporting. Bosingwa seria mais tarde poupado a um cartão amarelo quando Duarte Gomes deixou seguir o jogo, enquanto Sá Pinto viu um cartão amarelo que na minha opinião fica no limite do vermelho directo.

Em relação a oportunidades de golo, aquele minuto 15 foi um verdadeiro falso alarme. As equipas foram para intervalo empatadas 0-0, num jogo nervoso típico dos grandes confrontos de final de época.

O segundo tempo viu Duarte Gomes perdoar o segundo cartão amarelo a Quaresma, com Adriaanse a trocá-lo por Alan pouco depois e o jovem ala a reagir mal. No entanto, Alan entrou bem, e viria a ser importante na conservação de bola mais adiante. Entretanto, Raul Meireles obrigava Ricardo a boa defesa.

Por volta do minuto 60, Sá Pinto tem nova entrada dura e vê o correspondente segundo amarelo. Bosingwa, que na primeira parte tinha sido poupado, vê um cartão amarelo mal mostrado, e Jorginho cabeceia para defesa apertada de Ricardo numa das raras ocasiões de golo do jogo. Poucos minutos depois da expulsão de Sá Pinto, é a vez de Bosingwa ver o segundo amarelo. O lance inicia com um fora-de-jogo que fica por marcar, permitindo a Liedson inventar uma falta que conduz à expulsão de Bosingwa e correspondente troca de Lisandro por Ricardo Costa.

Com mais espaço mas também mais cansaço, havia pouco quem conseguisse desequilibrar. Paulo Bento lançou então Koke para o lugar do defesa Abel, aumentando a frente de ataque mas desprotegendo o sector defensivo. O FC Porto aproveitou, com o recém-entrado Adriano a assistir muito bem Jorginho, que, na cara de Ricardo, atirou com mais força do que cuidado, mesmo assim acertando no alvo. Era assim o mal-amado Jorginho, que chegou a ser assobiado na primeira volta, que fazia um golo de elevada importância para o FC Porto.

A equipa do Sporting pareceu perder toda a energia, não chegando a incomodar verdadeiramente a defesa do FC Porto até final. Duarte Gomes marcou dois livres errados nos longos 5 minutos (mais umas coisas) de compensação que entendeu dar, tendo o Sporting reclamado mão de Jorginho na área em lance que me parece longe de ser susceptível da marcação de qualquer falta.

O FC Porto conseguiu, no geral, reduzir o Sporting a apenas uma ocasião de golo, mesmo jogando com os tais três defesas. Se o Sporting esteve pouco inspirado, o FC Porto não criou muito mais lances de golo; no entanto, parece-me ser um vencedor justo.

Terminado o jogo, há que controlar qualquer euforia e pensar nos difíceis encontros que se seguem. A vantagem psicológica e pontual encontra-se no entanto do lado do FC Porto, que terá agora que aproveitar esse facto. Se o conseguirem, será então a vitória de outro mal-amado: Adriaanse.

- 1 - Helton [7] - Apenas defendeu um remate, mas esteve sempre muito seguro nos cruzamentos e em jogo com os pés.
- 12 - Bosingwa [7] - Muito certo a defender, mas teve momentos em que as suas decisões ofensivas foram exasperantes.
- 3 - Pedro Emanuel [7] - Algo injustiçado pelo árbitro em certos lances, teve um jogo regular numa linha defensiva que não falhou.
- 14 - Pepe [8] - Voltou a ser o líder da defesa, com outra exibição de grande nível.
- 18 - Paulo Assunção [7] - Bom trabalho a meio-campo, conseguindo manter uma posição adiantada em relação à defesa.
- 16 - Raul Meireles [7] - Mais um bom jogo, com boas recuperações e boa circulação de bola.
- 8 - Lucho González [7] - Tranquilo no controle de bola e inteligente, como habitualmente, na ocupação de espaços defensivos.
- 17 - Jorginho [8] - 1 golo - * - Preferia ter visto Ibson no onze inicial, mas eis que Jorginho fez uma boa exibição e marcou mesmo o golo da vitória.
- 7 - Quaresma [5] - Mostrou o seu lado pior, com mau temperamento e uma exibição pouco conseguida.
- 11 - Lisandro López [6] - Não fez um grande jogo, mas deu uma boa ajuda a meio-campo.
- 9 - McCarthy [6] - Integrou-se no que lhe foi possível da manobra a meio-campo, mas tendo estado pouco apoiado também não conseguiu desequilibrar sozinho.

- 27 - Alan [7] - Entrou bem, fazendo melhor do que Quaresma.
- 3 - Ricardo Costa [6] - Não chegou a fazer muito, tendo entrado após a expulsão de Bosingwa.
- 28 - Adriano [7] - 1 assistência - Esteve pouco tempo em campo, mas foi o suficiente para fazer uma bela assistência para o golo de Jorginho.

Faltam só três, graças a Deus

Na pior das hipóteses, Sá Pinto só vai voltar a jogar pelo Sporting mais três vezes. Como sportinguista, foi o melhor que consegui extrair do Sporting-FC Porto da 30ª jornada da Liga portuguesa. Os dragões venceram por 1-0 e garantiram a conquista do título nacional. Aos leões resta assegurar o segundo lugar e a presença directa na Liga dos Campeões, objectivo falhado de forma ridícula nas duas últimas épocas.

A exibição do Sporting frente ao FC Porto foi, na minha opinião, a pior desde que Paulo Bento pegou na equipa. Os portistas não fizeram muito mais para vencer que os leões, mas no final prevaleceu a maior experiência e o maior número de soluções da equipa de Co Adriaanse. Jorginho marcou o golo decisivo aos 85 minutos, quando as duas equipas já jogavam com 10.

O Sporting jogou sem supresas, com Paulo Bento a apostar no seu onze preferido: Ricardo; Abel, Tonel, Polga e Caneira; Custódio; João Moutinho, Sá Pinto e Carlos Martins; Deivid e Liedson. Co Adriaanse, como se previa, colocou em campo uma equipa mais cautelosa que o habitual: Helton; Bosingwa, Pepe e Pedro Emanuel; Lucho González, Paulo Assunção, Jorginho e Raul Meireles; Lisandro Lopez, McCarthy e Quaresma.

O FC Porto entrou melhor e chegou mesmo a marcar por Lisandro, mas o golo foi bem anulado por fora-de-jogo. Por volta dos 15 minutos, o Sporting teve a sua única grande ocasião do encontro: Moutinho tabelou com Liedson e, em excelente posição, rematou fraco para as mãos de Helton. Era assim que o Sporting poderia chegar ao golo, mas a equipa leonina não aprendeu a lição. Ricardo e os defesas optavam quase sempre por pontapés longos para os pontas-de-lança, que não tinham qualquer hipótese contra os defesas portistas. Dos médios, apenas Carlos Martins tentou levar a bola para a frente, mas sozinho era difícil fazer melhor. Moutinho esteve sempre muito apagado e Sá Pinto esteve ao seu nível, isto é, péssimo. O meio-campo esteve sempre muito recuado, o que facilitou a tarefa à defesa portista, que em algumas ocasiões mostrou que, pressionada, comete erros facilmente. O Sporting não soube ver isso. O 0-0 ao intervalo era, portanto, natural.

A segunda parte teve mais incidências. Aos 52 minutos, Quaresma agrediu Tonel, mas Duarte Gomes não viu. Co Adriaanse viu e logo a seguir tirou o ciganito e meteu Alan. Foi do melhor que podia ter acontecido aos dragões. O brasileiro entrou bem no jogo e foi dos melhores jogadores portistas. Dez minutos mais tarde, talvez para testar o árbitro, Sá Pinto fez uma falta dura no meio-campo portista e viu o amarelo. Já tinha um (noutra jogada igualmente ridícula no meio-campo adversário) e foi expulso. Pelo meio, o ídolo da Juve Leo, entre outras ajudas à equipa portista, conseguiu alguns lances de registo: um passe devolvido a Tonel a curta distância que saiu pela lateral; um passe para um contra-ataque portista quando tinha dois jogadores do Sporting perto dele para receber a bola; um lançamento de linha lateral mal executado aos 30 segundos do segundo tempo. Ou seja, com a expulsão do ídolo da Juve Leo, deixaram de ser 10 contra 12 e passaram a ser 10 contra 11. Logo a seguir o FC Porto criou a sua primeira ocasião clara, com Jorginho a cabecear para uma boa defesa de Ricardo. Um minuto depois, Bosingwa derrubou Deivid quando este se ia a isolar e também viu o segundo amarelo.

Os treinadores mexeram nas equipas, mas o equilíbrio mantinha-se. A 10 minutos do fim, Paulo Bento decidiu arriscar tudo e colocou Koke no lugar de Abel. O Sporting passava a jogar num 3x3x3. Acabou por não resultar. E o FC Porto soube aproveitar a falta de rotina do Sporting neste sistema e chegou ao golo aos 85 minutos. Adriano desmarcou Jorginho pelo centro e este, isolado, não deu hipóteses a Ricardo. Até final, os leões tentaram reagir, mas não encontraram soluções.

O FC Porto garantiu assim a sua vitória na Liga 2005/06. Foi pena, mas o Sporting não perdeu o campeonato neste jogo. Mesmo com este resultado, os leões continuam a ser a melhor equipa da segunda volta, com apenas cinco pontos perdidos, todos em casa. O campeonato foi perdido em três fases diferentes: 1) Nas primeiras sete jornadas, sob o comando do inenarrável José Peseiro, em que os leões perderam três jogos (nove pontos); 2) Nas jornadas 8 e 9, as primeiras sob o comando de Paulo Bento, que não teve tempo para preparar a equipa para dois jogos seguidos fora, que valeram dois empates (mais quatro pontos perdidos); 3) Na jornada 17, quando o Sporting foi a Braga com uma equipa muito remendada, devido aos reajustes no plantel, e perdeu (três pontos borda fora). Ao todo foram 16 pontos mal perdidos, num total de 21 pontos perdidos na primeira volta. Foi por isso que o Sporting chegou ao fim da primeira volta a 10 pontos da liderança e com os lugares europeus em risco.

O trabalho de Paulo Bento continua a ser excelente, mesmo com este desaire. Em três jogos com o FC Porto, equipa mais experiente, com mais e melhores valores individuais, com mais do triplo do orçamento, com apenas um treinador durante a época, o Sporting bateu-se de igual para igual e nunca foi subjugado. Talvez a superioridade portista seja de uns 55 para 45, coisa impensável no início da época. E com a precoce eliminação europeia, dificilmente os portistas se desconcentrariam no campeonato. Agora restam quatro jornadas e o Sporting depende apenas de si próprio para atingir a Liga dos Campeões. Se reagir bem na Amadora e conseguir uma vitória, acredito que não vai falhar esse objectivo.

Depois, para o ano, há que evitar os tiros nos pés e dar continuidade ao bom trabalho. Ao manter Paulo Bento e os jogadores mais valiosos o Sporting poderá começar a lutar pelo título na primeira jornada e não na 18ª. As possibilidades de sucesso aumentarão gigantescamente. E, claro, finalmente sem Sá Pinto voltaremos a entrar em campo com 11 jogadores. Parecendo que não, ajuda.

sexta-feira, abril 07, 2006

Falta pouco...

As luzes acendem-se...
Ao longe, progressivamente, surge o ruído nas bancadas do Alvalade XXI.
Gritos de vitória são entoados e,
O cheiro da relva, cada vez mais intenso, transporta-nos para uma dimensão de magia e surrealismo.
Tudo está preparado, nada vai adiar o embate por que todos esperam. Chegou a hora de desvendar a fibra da qual são feitos,
O Momento de soltar a força de quem nasce Campeão.



Força Sporting!!

Noventa minutos para decidir uma época

Estamos a pouco mais de 24 horas do grande jogo da edição 2005/06 da Liga portuguesa. Sporting e FC Porto, as duas melhores equipas nacionais da actualidade, vão encontrar-se pela terceira vez esta época, depois de dois empates nos jogos anteriores. A diferença é que o palco muda. Do Dragão passamos para Alvalade. Quem vencer vê o título mais perto. Para o FC Porto, o empate também é um resultado interessante.

Como disse, Sporting e FC Porto já se defrontaram duas vezes esta temporada, ambas no Dragão. A primeira para o campeonato, a segunda para a Taça. Os dois jogos terminaram empatados a um golo, mas na Taça os portistas levaram a melhor nas grandes penalidades. Em termos de jogo jogado, não se viram grandes diferenças entre as duas equipas, descontando a natural pequena superioridade territorial do FC Porto, por jogar no seu terreno. Em ambos os jogos o Sporting esteve em vantagem, mas das duas vezes viu os dragões empatarem pouco depois. No primeiro jogo através de um autogolo, no segundo logo após os leões terem ficado em inferioridade numérica. Não deixa de ser frustrante.

No jogo de sábado, ao Sporting só interessa verdadeiramente a vitória, se quiser continuar a depender de si próprio. Nesse caso os leões ficariam com um ponto de vantagem sobre os portistas e poderia repetir-se a história de 1999/2000, onde o Sporting venceu o FC Porto por 2-0 à 26ª jornada e depois soube manter a vantagem até final, terminando até a prova quatro pontos à frente do rival. Este ano ficarão a faltar apenas quatro jornadas. Se o FC Porto vencer pode encomendar as faixas. Fica com cinco pontos de vantagem quando faltarão apenas 12 para disputar. E até final os dragões apenas terão um jogo difícil, a visita ao Bessa na última jornada. O empate também interessa muito aos azuis-e-brancos, sobretudo se for com golos. Em caso de empate a 0-0 o Sporting fica em vantagem no confronto directo, devido ao 1-1 da primeira volta. Nessa situação ainda poderia haver emoção até ao fim, embora não acredite muito que o FC Porto se deixasse surpreender. Se o empate fosse a dois golos ou mais ficariam os portistas em vantagem. O empate a um golo também seria interessante para a equipa de Co Adriaanse, pois aí seria o goal-average a decidir e a vantagem portista nesse capítulo é grande: 33 golos positivos contra 24 do Sporting.

Para já, o Sporting é o líder indiscutível da segunda volta, onde apenas tropeçou na recepção ao Marítimo, perdendo dois pontos. Mesmo assim, a equipa de Paulo Bento, nas 12 jornadas já realizadas neste período, recuperou oito pontos ao FC Porto e nove ao Benfica. E a sua actual série de 10 vitórias consecutivas é a terceira melhor da sua história. Em caso de vitória sobre os dragões igualará a marca do Sporting de Marinho Peres, obtida em 1990/91.

Em relação aos onzes iniciais, Paulo Bento não vai apresentar supresas e apostará no seu esquema preferido e na sua equipa de confiança: Ricardo; Abel, Tonel, Polga e Caneira; Custódio; João Moutinho, Sá Pinto e Carlos Martins; Deivid e Liedson. Já Co Adriaanse, tal como fez no jogo da Taça, deverá apostar numa táctica mais contida e não no 3x3x4 que parecia implantado de vez. O FC Porto poderá começar assim o encontro: Helton; Bosingwa, Pepe e Pedro Emanuel; Raul Meireles, Lucho Gonzalez, Paulo Assunção e Cech; Adriano, McCarthy e Quaresma. Poderão ainda jogar Jorginho ou Anderson, provavelmente no lugar de Adriano, mas o esquema deverá ser um 3x4x3 não tão ousado.

quarta-feira, abril 05, 2006

Terminou o sonho encarnado

Chegou ao fim o sonho dos encarnados na Liga dos Campeões. Perante um Camp Nou a abarrotar pelas costuras, os catalães confirmaram, com golos, a já sabida superioridade sobre o conjunto português.

Em relação à partida da primeira-mão, Koeman lançou de início Miccoli para o lugar de Karagounis. Rijkaard também fez uma alteração, com a entrada de Puyol para o lugar do lesionado Thiago Motta.

Como era de esperar, o Barcelona pegou nas rédeas cedo encontro, com rápidas trocas de bola e lançamentos para as costas da defensiva encarnada. O Benfica adoptava uma postura mais expectante e não conseguia sair para o contra-ataque. Um dos lances que ficou na retina do jogo da Luz foi o cortado com a mão por Motta na sua área. Na altura, Koeman tinha dito que se houvesse um lance idêntico no Camp Nou, o árbitro não hesitaria em marcar o castigo máximo. O facto é que a premonição do holandês materializou-se. Estavam decorridos três minutos, quando Van Bommel efectuou um cruzamento, fazendo a bola bater no braço de Petit. O árbitro Lubos Michel foi peremptório e assinalou grande penalidade. Ronaldinho, na marca dos onze metros, permitiu a defesa de Moretto. Este poderia ser um tónico para a equipa encarnada, mas o Barcelona não se atemorizou e, aos 18 minutos, chegou mesmo ao golo. Beto perdeu a bola infantilmente, o esférico sobrou para Eto’o, que cruzou atrasado para o "coração" da área, onde surgiu Ronaldinho que só teve de encostar para o fundo das redes.
Apesar da vantagem, os catalães pressionavam incessantemente, não dando espaço aos encarnados para chegar junto a Valdés. O Barcelona podia ter ampliado o marcador ainda no primeiro tempo, mas Van Bommel não aproveitou um erro de Léo e permitiu a defesa de Moretto. O Benfica apenas por uma vez criou perigo, na sequência de um livre em que Anderson cabeceou, sem marcação, mas ao lado da baliza espanhola.

A etapa complementar confirmou a tendência dos primeiros 45 minutos. O Barcelona continuava com uma grande dinâmica e o Benfica, apesar da sua prestação ter subido um pouco, não conseguia sair da teia catalã. Diga-se em abono da verdade, que os encarnados tentaram mais vezes chegar à baliza contrária, mas falharam nas raras situações de golo que criaram. A mais flagrante aconteceu aos 60 minutos por Simão. Miccoli desmarcou o internacional português que, frente a Valdés, rematou rente ao poste. Era a oportunidade que o Benfica tanto ansiava, mas os deuses não quiseram nada com a formação lusa. A pouco e pouco, a equipa de Koeman ia chegando mais vezes à área contrária, com Miccoli muito sozinho na frente, apesar das entradas de Karagounis, Robert e Marcel. Os corações dos adeptos catalães não descansavam com a magra vantagem e só respiraram de alívio a dois minutos do apito final. Instantes antes, Karagounis quase marcava, mas Valdés correspondeu muito bem ao remate do grego. Eto’o selou a passagem às meias-finais da prova, depois de mais um erro a meio-campo, desta vez de Petit. O camaronês, desmarcado por Belleti, apareceu isolado na cara de Moretto e facilmente fez o segundo tento da partida.

Apesar da eliminação nos quartos-de-final, fica uma imagem muito positiva do Benfica na Europa. Depois do Manchester e Liverpool, os encarnados sucumbiram ao poderoso Barcelona.

terça-feira, abril 04, 2006

Rendimento mínimo a pensar no Barcelona

Antes da deslocação ao Camp Nou, e que pode valer um uma época inteira, o Benfica tinha um difícil teste à beira-rio. Perder pontos no Restelo seria a mesma coisa do que assinar o certidão de óbito no que toca à revalidação do título. O Belenenses também precisava de amealhar pontos para fugir ao emaranhado de equipas que tenta fugir à despromoção.

Foi uma partida bem disputada, sobretudo, na primeira parte, período no qual houve emoção, golos e incerteza do resultado. No reatamento, o Benfica geriu a vantagem e condicionou o seu esforço a pensar já na deslocação à Catalunha. Mérito para os homens de Belém que acreditaram sempre na possibilidade de pontuar.

Koeman apostou numa equipa arrojada no ataque, fazendo entrar de início Miccoli, Nuno Gomes e Karagounis. No último reduto tudo na mesma, com Ricardo Rocha a ocupar o lugar de defesa direito. No lado do Belenenses, Meyong voltou a ser titular, depois de cumprir um jogo de castigo.

As duas equipas entraram bem no encontro e com as suas intenções centradas na baliza adversária. Mercê desse pendor atacante, aos 8 minutos, Zé Pedro abriu o activo com um remate de fora da área que Moretto não conseguiu deter. A equipa de Koeman reagiu bem, apesar de ter perdido Nuno Gomes por lesão à passagem do primeiro quarto-de-hora num lance em que Sandro Gaúcho quase colocava o avançado encarnado no sofá ao lado de Jorge Andrade para assistir ao Mundial. O empate cehogou por intermédio de Miccoli, aos 22 minutos, depois de um excelente trabalho sobre Pelé e ter rematado colocado, sem hipótese para o guarda-redes azul. Nove minutos volvidos, Karagounis deu a volta ao marcador com um remate de meia-distância. A partir daqui, o Benfica abrandou o ritmo, com o Belenenses a acusar os tentos sofridos e a não conseguir voltar ao jogo. Simão ainda teve a possibilidade de sentenciar o encontro, mas depois de uma primorosa desmarcação de Miccoli, o internacional português falhou infantilmente a oportunidade.

A etapa complementar, trouxe uma realidade distinta. O Benfica muito remetido à sua defesa, tentando gerir a magra vantagem e o Belenenses à procura do empate. E estiveram perto os jogadores da Cruz de Cristo. Paulo Sérgio, só com Moretto pela frente, desperdiçou escandalosamente a ocasião. A equipa de Couceiro mandava no jogo e, por isso, chegava mais vezes à área adversária, com o Benfica a fazer figura de corpo-presente. E foi numa dessas vezes, que Zé Pedro sofreu um toque de Petit, na área, lance que o árbitro Pedro Henriques decidiu não assinalar grande-penalidade. Os homens de Belém viriam a reclamar novo castigo máximo por uma mão de Manduca e, novamente, o árbitro deixou seguir o jogo. Apesar de haver uma equipa dominante, as oportunidades de golo rareavam e só Léo conseguiu dar um pontapé na monotonia ao enviar uma bola a trave da baliza de Marco Aurélio.

Estava escrito que o resultado construído na primeira parte era o final, penalizando, desta forma, a postura mais ofensiva do Belenenses no segundo tempo.

segunda-feira, abril 03, 2006

Sporting - Porto, faltam 5 dias...

Tempo de rever todo o percurso de uma época...
Tempo de verificar o suor necessário para ultrapassar um começo menos feliz...
Tempo de reafirmar o que foi dito a 28 de Janeiro no Estádio da Luz...

Tempo de dizer:

"Queremos ser Campeões e, mostramo-lo neste jogo!"

FC Porto, 3 - Gil Vicente, 0

:: Cromo Repetido :: Obrigação Cumprida

Na última jornada antes da deslocação a Alvalade, e tendo o Sporting ganho em Guimarães no dia anterior, impunha-se ao FC Porto a obrigação de derrotar o aflito Gil Vicente no Dragão para manter os dois pontos de vantagem. Essa obrigação foi cumprida, mesmo que com uma exibição irregular, perante um adversário que dificultou durante a primeira parte e se prejudicou na segunda.

Ficou claro desde o início que a formação defensivamente muito compacta do Gil Vicente -- com dois homens adiantados nos flancos mais para reter a bola do que tentar realmente lances de ataque -- iria causar dificuldades ao ataque organizado do Porto e tentar explorar a necessidade de ganhar da equipa da casa.

Sem Lucho, Adriaanse apostava em Cech para o meio-campo, adiantando Raul Meireles. Jorginho ficava no banco, contra todas as expectativas, e Diego continuava fora dos convocados.

O tempo foi pouco até McCarthy se isolar com a bola controlada, em lance que seria mal anulado por fora-de-jogo. Minutos depois, o mesmo McCarthy disparou um livre rasteiro ao poste. O golo parecia iminente, mas a realidade é que os visitantes acertaram marcações e as oportunidades começaram a rarear, apesar do domínio evidente em termos territoriais.

Perto do intervalo, o guarda-redes Paulo Jorge lesionou-se sozinho, e seria ironicamente no período de compensação resultante dessa prolongada assistência que o Porto iria desempatar o jogo. Lance de contra-ataque em que finalmente apareceu algum espaço na defesa do Gil, com Bosingwa a executar rapidamente um lançamento lateral para Quaresma, Cech a desmarcar-se pelo meio em posição legal, recebendo o passe de Quaresma e batendo com eficácia o guarda-redes.

O Porto veio para a segunda parte com Alan a pegar no jogo, mostrando finalmente algumas razões para Adriaanse ter voltado a apostar nele depois do desastroso jogo anterior. O Gil Vicente tinha trocado de guarda-redes e lançado um avançado ao intervalo, mas acabou por dar dois tiros no pé no espaço de 20 minutos. Primeiro Braima e depois Bruno Tiago tiveram entradas muito duras, incompreensíveis para quem sabia que trazia cartão amarelo da primeira parte (onde ainda ficaram outros por mostrar). Reduzido a nove com quase vinte minutos para jogar, se o Gil Vicente ainda não tinha criado qualquer perigo, não foi a partir daí que o criou. Atitude em todo o caso muito digna até final, disputando o jogo dentro do que era possível.

O Porto não foi brilhante, mas controlou naturalmente o resto do jogo e fez mais dois golos. Primeiro um cruzamento cortado com o braço na área (pela posição do braço e movimento do defesa, parece-me intencional), Quaresma falha o penalty mas marca na recarga. Cech lesiona-se, Ibson entra para o seu lugar, e marca em jogada de insistência já perto do final.

O resultado de 3-0 coloca o FC Porto como melhor ataque e melhor defesa do campeonato nesta fase, a cinco jogos do fim. É agora necessária tranquilidade até sábado, numa semana que se prevê interessante na comunicação social desportiva.

- 1 - Helton [-] - Espectador.
- 12 - Bosingwa [6] - Pouco trabalho defensivo, esteve bem no lance do primeiro golo.
- 14 - Pepe [6] - A sua exibição menos conseguida em muito tempo, com alguns passes errados e pouco que fazer na defesa para compensar.
- 4 - Pedro Emanuel [6] - Outro que foi prejudicado pelo pouco trabalho na defesa, bem como pelas boas investidas de Carlitos.
- 18 - Paulo Assunção [7] - Muito regular.
- 35 - Marek Cech [7] - 1 golo - Não tendo feito uma grande exibição, fez um golo importante.
- 16 - Raul Meireles [7] - Positivo, com um par de bons remates e movimentação inteligente.
- 27 - Alan [7] - Surpreendeu a sua boa entrada no segundo tempo, mas não pode limitar-se a 15 ou 20 minutos de qualidade por jogo.
- 7 - Quaresma [7] - * - 1 golo, 1 assistência - Sem ser brilhante, foi novamente o jogador mais perigoso, tendo assistido o primeiro golo e feito o segundo na recarga do penalty que falhou.
- 28 - Adriano [6] - Jogou apenas o primeiro tempo, tendo procurado bem jogo atrás.
- 9 - McCarthy [6] - Podia ter marcado se não lhe fosse mal assinalado fora-de-jogo, e atirou um livre ao poste, mas de resto esteve discreto.

- 17 - Jorginho [6] - Pouco inspirado nos 45 minutos que esteve em campo.
- 6 - Ibson [7] - 1 golo - Jogador de qualidade, Ibson mostrou que não está enferrujado logo que entrou em campo, e acabou por ainda fazer um golo.
- 39 - Hugo Almeida [-]

domingo, abril 02, 2006

Só mais cinco por favor

O Sporting venceu ontem em Guimarães por 1-0 e garantiu matematicamente um lugar na Taça UEFA da próxima temporada. Pode soar a ironia, mas garanto que não é. Quando estávamos a meio da primeira volta, com o Sporting a praticar um futebol horrível e a perder jogos consecutivos, sob o (des)comando de José Peseiro, e com o Sp. Braga, o Nacional e o Vitória de Setúbal a realizarem um início de época fulgurante, cheguei seriamente a temer que os leões não conseguissem terminar o campeonato entre os cinco primeiros. Mas as coisas melhoraram e com a vitória de ontem, a décima consecutiva na Liga, o Sporting assegurou imediatamente que já não será ultrapassado por Nacional e Boavista, garantindo assim um lugar final entre os quatro primeiros. Faltam cinco jogos e uma coisa é certa: se ganhar todos o Sporting será campeão.

O jogo de Guimarães era mais um dificílimo obstáculo que os leões teriam de ultrapassar. O Vitória não perdia há oito jogos para o campeonato, com três vitórias e cinco empates pelo meio. Mas, mesmo assim, os vimaranenses não conseguiram deixar os lugares de despromoção. Em resumo, o encontro de ontem era de grande tensão para ambas as equipas, cientes de que qualquer ponto perdido nesta altura pode pôr em causa os seus (diferentes) objectivos. Para o Sporting havia a dificuldade (ou motivação adicional, conforme o ponto de vista) de jogar num estádio que, tirando os dos três grandes, tem seguramente o ambiente mais escaldante do futebol português (pensando bem, há ainda o da Choupana, onde a claque feminina do Nacional inferniza a vida a toda a gente que se encontre nas suas proximidades).

O desafio foi muito difícil para ambas as equipas. Paulo Bento apresentou a sua equipa-tipo. O Vitória jogou num 4x2x3x1 típico de muitas equipas portuguesas. Faço aqui um parênteses para dizer que uma equipa que ontem teve no banco jogadores como Svard, Targino, Dragoner, Dário e Antchouet tem que lutar pelas competições europeias, sem desculpas. Quanto ao encontro, foi muito parecido com o que o Sporting realizou há duas semanas, em Leiria. A equipa da casa começou melhor, criando dois ou três lances de apuro (que não ocasiões claras de golo) para a equipa leonina. Os visitantes tinham dificuldades em ligar jogadas objectivas, mas foram tomando conta do jogo, com o passar dos minutos. Na segunda parte houve claramente mais Sporting e, à medida que o tempo ia passando, começava a cheirar a golo leonino. Que acabou por surgir aos 81 minutos. Nani tentou lançar Liedson, a defesa vimaranense cortou, mas colocou a bola em Moutinho, que, de primeira, voltou a lançar o levezinho. Este só teve de correr, entrar na área, e disparar sem hipótese para Nilson. Até final o Sporting geriu bem a vantagem e até podia ter feito mais um golo, novamente por Liedson.

Estão conquistados mais três pontos e o Sporting vai assim receber o FC Porto com dois pontos de atraso (sim, porque não acredito que o Gil Vicente roube pontos no Dragão). Mais uma vez, só a vitória interessa, para que assim os leões possam chegar finalmente à liderança da Liga. Vai ser muito difícil, mas pode ser que a história de 1999/2000 se repita. Na altura os leões também receberam os dragões com dois pontos de atraso e venceram por 2-0, com golos de André Cruz e Acosta, passando então para o primeiro lugar, que mantiveram até ao final. A diferença é que, então, o jogo realizou-se na 26ª jornada e não na 30ª. Pormenores.

Voltando ao jogo de ontem, foi fácil perceber que o Sporting teve um obstáculo extra para ultrapassar, o que ainda tornou a vitória mais saborosa. Três foras-de-jogo incríveis a Deivid na primeira parte, uma bola fora mal assinalada quando Carlos Martins ia fazer o passe para o isolado Deivid e um penalty claro de Cléber sobre Koke foram dose de... leão. E tudo ainda antes do golo. Os comentadores da TV também pediram um penalty de Polga sobre Saganowski. Tem sido típico nesta segunda volta: de cada vez que um defesa do Sporting entra em contacto com um adversário deve ser motivo para penalty. Em quase todos os jogos tem sido assim. Porque é que haveria a lei de ser diferente para os centrais do Sporting e para os das outras equipas? Certo, certo é que Vítor Pontes não falou do assunto e sabe-se que ele é menino para se queixar, como se viu (ouviu) há duas semanas, depois do empate com a Académica. Além disso, se aquele contacto é suficiente para penalty, certamente também o seria o de Nilson em Liedson, ainda na primeira parte. O guarda-redes vimaranense falhou a recepção de um atraso de bola e, quando o levezinho tentava chegar à bola, o guardião fez-lhe uma ligeira obstrução, suficiente para que um defesa do Vitória recuperasse a posição e cortasse a bola para canto. Curiosamente aí ninguém pediu penalty, nem os jogadores do Sporting, nem os comentadores televisivos.

PS - Depois de algumas semanas de despeito, os meus amigos e conhecidos benfiquistas não têm mostrado interesse em falar de árbitros e arbitragens nas últimas três semanas. Compreende-se, tal deve ser a gratidão à mais reduzida equipa em campo pelas três vitórias consecutivas alcançadas na Liga. É natural, há que manter a competitividade na prova até ao fim. Afinal, lá diz o ditado: “Só o Benfica enche estádios”. O que, aliás, se confirmou plenamente ontem, em Guimarães e no Restelo. No fundo, no fundo, só lamento que A Bola tenha perdido três grandes oportunidades para fazer capas tão educativas e pedagógicas como a que lançou no dia seguinte ao Benfica-Barcelona. Mas sabe-se como são os génios, sempre intermitentes...

sábado, abril 01, 2006

Guimarães, 0 - Sporting, 1

Noventa minutos de muita luta, mas sem grande discernimento ou momentos de genialidade. O Sporting apresentou uma equipa sólida do ponto de vista defensivo, mas sem deslumbrar do ponto de vista atacante. Pareciam faltar soluções, quando Liedson finalmente é bem servido e decide o jogo.
O Sporting fez aquilo que lhe competia, num jogo em que continuando a exibir uma sobriedade absolutamente fenomenal, necessita de maior frescura na frente.
Faltam sete dias para o próximo embate. Sete dias para recuperar a frescura física, estudar a equipa adversária e treinar jogadas que poderão definir o jogo.
Faltam 7 dias...