quinta-feira, maio 18, 2006

FC Porto: Balanço da Época 2005/06

:: Cromo Repetido :: Êxito Interno, Falhanço Externo

Esta época de 2005/06 do FC Porto seguiu um velho chavão muitas vezes aplicado aos jogos de futebol: teve duas partes distintas. Co Adriaanse chegou como um desconhecido, com Ronald Koeman a entrar no Benfica como alguém que já tinha sido campeão no seu país enquanto Adriaanse nada tinha ganho. É certo que agora Adriaanse venceu campeonato e taça e Koeman já fez as malas, mas durante grande parte da época Adriaanse não era visto como uma escolha consensual.

A primeira parte da época ficou fundamentalmente marcada pela eliminação das competições europeias, não conseguindo sequer a transição para a Taça UEFA num grupo que se afigurava acessível. A nível interno as coisas iam correndo razoavelmente bem, mas a prematura eliminação europeia colocou uma nuvem negra sobre o FC Porto, culminando com a derrota na Amadora no primeiro jogo de 2006.

Viria a ser exactamente essa derrota que se tornaria um ponto de viragem para a época, com Adriaanse a trocar Baía por Helton e pouco depois a lançar a famosa defesa de 3 unidades. Sem complicações europeias, a equipa ultrapassou um grande cepticismo inicial de muitos adeptos relativamente à táctica, acabando por fazer uma segunda volta muito forte.

Enquanto o Benfica perseguia o sonho europeu para lá do que seria previsível, era o Sporting de Paulo Bento que fazia uma segunda volta ao nível do FC Porto, recuperando inclusivamente pontos que tinha perdido durante uma primeira volta comparativamente fraca. A dupla vitória do Porto sobre o Sporting, primeiro a penalties para a Taça de Portugal e depois em Alvalade para o campeonato, colocaria finalmente o FC Porto firmemente na rota do merecido triunfo interno.

O Porto demonstrou capacidade de superar a generalidade das equipas que constituem o campeonato português, perdendo poucos pontos nesses jogos. Frente a Benfica e Sporting teve mais dificuldades, apenas no final da época conseguindo bons resultados; mas provou que não é só nesses jogos que se decidem títulos.

Mais relevante para mim do que este ter sido o 13º título em 20 anos, é o facto de ser o 3º título em 4 anos. Isto porque o FC Porto recupera agora -- depois de recentes triunfos no campeonato repartidos por Sporting, Benfica e Boavista -- uma supremacia no passado recente, que é sempre o mais importante. Também importante é a juventude da equipa; muito se fala da juventude do Sporting, mas as médias de idades andam bem próximas, faltando agora saber se vão ter tempo para amadurecer antes dos melhores jogadores serem vendidos.

A defesa do FC Porto, com os tais 3 elementos, sofreu apenas 4 golos na segunda volta -- 2 dos quais depois de já ser campeão. Mesmo com o total de 16 golos sofridos, terá sido a defesa menos batida das ligas europeias. Será agora necessário manter esse rendimento no próximo ano e tentar transportar o máximo para a Europa.

De acordo com as apreciações ao rendimento dos jogadores que fui fazendo ao longo da época, quem mais contribuiu no total com as suas exibições para o êxito desta temporada foi a dupla Ricardo Quaresma e Lucho González. O argentino teve no entanto um início de temporada algo morno, pelo que em média as melhores exibições pertenceram a Pepe, Paulo Assunção e o inevitável Quaresma. Numa segunda linha surgem Raúl Meireles e Ibson (Helton fez poucos jogos, mas quando jogou nunca decepcionou).

Voltando ao genial extremo que Scolari ignorou, Quaresma foi o quarto melhor marcador da equipa, com 5 golos, tendo liderado as assistências com 10 e os títulos de melhor jogador da equipa com outros 10. Por perto só Jorginho com 6 assistências e Pepe com 4 títulos de melhor em campo, o que demonstra bem a distância. Lucho González foi o melhor marcardor da equipa, com 8 golos, seguido por Lisandro López e pela meia época de Adriano, ambos com 7.

Por tudo isto, impõe-se a atribuição do título de jogador do ano no FC Porto a Ricardo Quaresma.

Veremos agora o que faz o FC Porto na preparação da nova época. Claramente o sistema táctico foi suportado defensivamente por Pepe e Assunção, pelo que é importante determinar se as alternativas a estes jogadores existem. Por outro lado, essa táctica terá no próximo ano uma prova de fogo na Europa, onde provavelmente se verá forçada a funcionar mais vezes com o quarto defesa.

Ofensivamente existem mais dúvidas; será que Quaresma, Lucho e Pepe ficam? E McCarthy? Adriano será jogador para a Liga dos Campeões? Quem dará finalmente equilíbrio ao flanco onde não estiver Quaresma? Se a defesa e o meio-campo parecem bem encaminhados, ofensivamente ainda há muito por fazer.

É muito cedo para fazer previsões, mas como habitualmente será interessante esta nova época de transferências. Dela dependerá em grande parte a expectativa para a nova época. Uma coisa é certa: se souberem manter e reforçar este plantel, a juventude desta equipa pode ser um grande trunfo para o futuro.

terça-feira, maio 16, 2006

Convocatória para o Mundial

:: Cromo Repetido:: O "Grupo" Acima de Tudo

Antes de comentar a convocatória ontem anunciada por Scolari, parece-me conveniente esclarecer alguns pontos que assumo serem verdadeiros:

- Por muito discurso que Scolari faça para disfarçar a sua resposta de verdadeiro casca-grossa a Agostinho Oliveira, e mesmo sendo Scolari chefe de todos menos de Madaíl (ou também de Madaíl?... às vezes confunde-se), será sempre Agostinho Oliveira a ser responsabilizado pelos resultados (ou falta deles) dos sub-21 no Europeu. Assim sendo, vou assumir que Scolari se está borrifando para o resultado do Europeu em comparação com o do Mundial; consequentemente, terá escolhido o melhor grupo de jogadores possível para o Mundial, sem estar a sacrificar ninguém para bem dos sub-21.

- O que os adeptos de futebol vão tendo oportunidade de observar em campo é apenas uma parte do que se torna relevante ao fazer uma convocatória como esta. Não é conveniente ao seleccionador ter jogadores cuja personalidade possa entrar em conflito com outros, deteriorando o espírito de grupo. Como exemplo, a imagem de Mellberg e Ljungberg ao murro num treino da Suécia. Não havendo nenhum jogador verdadeiramente seleccionável que tenha tido esse tipo de comportamento por cá, vou assumir que também não serão antipatias pessoais a determinar quem "é da malta" e quem não é; portanto todos seriam, em princípio, seleccionáveis para fazerem parte deste grupo restrito.

- Finalmente, uma equipa deve ter alguma rotina em campo, pelo que é desejável a manutenção de um núcleo estável, dentro do possível. O trabalho do seleccionador é principalmente o de coordenar a manutenção deste núcleo com a incorporação dos jogadores que a cada momento estejam em melhor forma, e consequentemente mais capazes de produzir resultados. Só assim uma selecção pode evitar cair num dos extremos: uma equipa farta de jogar junta mas cheia de gente em baixo de forma, ou uma equipa em que toda a gente está em forma mas joga cada um para seu lado.

Feito este preâmbulo, é fácil de entender muitas das escolhas de Scolari. De facto, Quim, Ricardo Costa, Costinha, Maniche, Hugo Viana e Hélder Postiga nada fizeram esta época para merecerem um lugar na convocatória. No entanto, fazem parte do tal "grupo", e não convocar uma parte significativa deles teria certamente impacto negativo no momento piscológico da selecção. A ênfase aqui é na "parte significativa", senão temos uma selecção de lugares cativos até à reforma.

Por falar em reforma, vou deixar Figo sossegado por uma vez. Pronto, baldou-se à fase de qualificação toda e voltou quando lhe apeteceu. Se calhar ainda é mais chefe do que Scolari e Madaíl juntos. Mas não interessa, porque isso pelos vistos não afecta o grupo.

O que me interessa comentar é simplesmente aquilo que Scolari recusa comentar: os que não foram convocados. Scolari aparentemente acredita que não lhe pagam o suficiente para ter que explicar em condições as suas decisões. Não questionem, que ele já foi campeão do mundo (não interessa se foi com o Brazil, continua a não ser qualquer um que faz isso). O problema é que ao recusar falar sobre determinados assuntos, mais não faz do que expor a fragilidade inerente às suas decisões. Muito simplesmente, se assim não fosse, explicava-se.

Qual seria então a explicação para a não convocatória de Quaresma? Para escolher Viana em lugar de Moutinho? Ou Postiga em vez de João Tomás? E que tal dar uma oportunidade num amigávelzito qualquer a jogadores como Miguelito ou Pedro Mendes? Não interessa; os que não foram convocados, para todos os efeitos, não existem.

Aquilo que me preocupa nos que foram efectivamente convocados é existir muito pouca gente que esteja realmente em forma (ao contrário do Euro 2004), e muito pouca gente com velocidade. Boa Morte não se encaixa bem na forma de jogar da selecção, e à falta de Quaresma, no 11 inicial só resta Cristiano Ronaldo com velocidade. Poucas soluções para ponta-de-lança, também, mas esse já é mal comum há muito tempo.

Boa sorte para o Mundial, e cuidado com os grupos "fáceis".

segunda-feira, maio 15, 2006

FC Porto, 1 - Vit. Setúbal, 0

:: Cromo Repetido :: FC Porto Completa Triunfo Nacional

É inegável que a Taça de Portugal, bem como as suas congéneres em diversos outros países, já não tem o mesmo valor de outros tempos para os clubes de maior dimensão. Ainda assim, não deixa de ter alguma relevância, pelo menos simbólica; e essa relevância aumenta consideravelmente quando a Taça se junta à conquista do campeonato em vez de servir como prémio de consolação numa época falhada.

Para o Vitória de Setúbal, detentor do troféu, era uma surpreendente segunda presença consecutiva na final. Apesar de uma segunda metade de época bem menos convincente do que a primeira, após toda a turbulência natalícia que afectou o clube, era inegável a determinação sadina em reconquistar o troféu.

O jogo pouco ou nada teve de surpreendente, à parte a titularidade do jovem Anderson: começou o Porto instalado no meio-campo do Setúbal, que por sua vez defendia no último terço do terreno e tentava baixar o ritmo da partida. As situações de perigo iam aparecendo, com Quaresma a assumir bem o jogo, mas nada de muito flagrante -- até Carlitos enviar o primeiro remate setubalense, já depois da meia hora de jogo, à barra.

Pouco depois surgia o golo do FC Porto, que viria a decidir a entrega do troféu. Quaresma tira mais um bom cruzamento, Adriano adivinha bem o lance e antecipa-se de cabeça à defensiva adversária. Momentos depois McCarthy quase duplica a vantagem, mas o guarda-redes Rubinho conseguiu opor-se. A polícia de intervenção decidiu entretanto animar a festa do golo com uma carga prolongada sobre parte dos adeptos portistas, por razões que a transmissão televisiva não permite determinar.

O segundo tempo foi mais estranho, na medida em que o Setúbal tentou atacar e foi abrindo espaços para o Porto falhar repetidamente o 2-0. O melhor lance setubalense foi protagonizado por Bruno Ribeiro, com um remate de surpresa para grande defesa de Helton. Do lado portista, quase toda a gente teve oportunidade de falhar um ou mais golos, particularmente com o aproximar do final do encontro.

Relativamente à arbitragem do lisboeta Duarte Gomes, numa palavra: miserável. Pouco se aproveitou de uma arbitragem que esteve mal a nível disciplinar, fraca em termos de ábitros assistentes, e cega em vários lances dentro da área do Setúbal no primeiro tempo.

A vitória do FC Porto foi justa, na minha opinião, com ambas as equipas a fazerem uso das suas armas dentro do possível neste final de época. Realce para o gesto de Pedro Emanuel, capitão de equipa, ao fazer questão que Baía erguesse a taça juntamente com ele. Não é fácil vencer campeonato e taça no mesmo ano, pelo que novamente Adriaanse e este seu FC Porto estão de parabéns.

sábado, maio 13, 2006

Preparando a próxima época...

Numa altura em que há que organizar o Sporting como Clube, SAD e Equipa de Futebol, surgiram boas notícias esta sexta-feira:
  • Abel renovou por mais 3 épocas, sendo desde já um reforço de grande valor para o plantel, graças às suas apuradas características como futebolista;
  • Paulo Bento oficializou perante a comunicação social que irá orientar a equipa por mais 2 anos;
  • Sá Pinto, por decisão do treinador Paulo Bento, não voltará a jogar futebol pelo Sporting. Esta foi uma decisão extremamente acertada de Paulo Bento, que reconhecendo a entrega do jogador, soube perceber que Sá Pinto não tem actualmente lugar no plantel.

segunda-feira, maio 08, 2006

Campeão da segunda volta

O campeonato argentino é composto por duas voltas independentes: o Torneio Apertura e o Torneio Clausura. Em ambas as equipas começam do zero, logo há a possibilidade de haver dois campeões diferentes em cada ano. Se fosse assim em Portugal, o Sporting teria vencido um título, pois foi o campeão da segunda volta, ao somar 42 pontos, mais três que o FC Porto. Tivesse a primeira volta sido igual e os leões teriam sido campeões. Mas a incompetência do primeiro treinador da época pagou-se cara e não é possível começar a lutar pelo título à 18ª jornada. Pelo menos salvou-se o segundo lugar, com acesso directo à Liga dos Campeões. Desde 1996/97 que o Sporting não terminava nesta posição. Pelo meio foi duas vezes campeão e ficou em terceiro e quarto lugar.

O Sporting só dependia de si próprio para assegurar o vice-campeonato, bastando-lhe para tal um empate na recepção ao Sp. Braga. Perante uma das melhores assistências da época, os leões entraram em campo para ganhar. Depois de algumas jogadas de perigo, o golo surgiu aos 21 minutos, numa jogada exemplar: Abel cruzou da direita e Moutinho, numa execução muito difícil, rematou de primeira de pé esquerdo, fazendo a bola entrar no ângulo superior direito da baliza de Paulo Santos. Depois o Sporting abrandou um pouco, mas continuou a ser mais perigoso, com Deivid a falhar um golo incrível (semelhante ao que já tinha falhado na Luz). No segundo tempo o Braga tentou tomar conta do jogo, também por consentimento leonino. Mesmo assim acabou por ser o Sporting a ter mais oportunidades para aumentar a vantagem. Apenas no finalzinho do jogo Delibasic podia ter empatado, ao rematar por cima da baliza vazia depois de João Tomás ter ganho no ar a Ricardo.

A vitória por 1-0 acabou por servir apenas para os sportinguistas irem para férias com algum conforto de alma. Isto porque o Benfica perdeu em Paços de Ferreira por 1-3, depois de estar a ganhar ao intervalo. No final do jogo, desta vez, Koeman não comentou o jogo do Sporting. Certamente porque teve na Mata Real motivos mais que suficientes para umas boas gargalhadas. A figura de Moretto no golo do empate do Paços mereceria destaque no “Comedy Capers”, esse programa tão caro a Ronald.

O Sporting acabou por fazer uma época relativamente positiva, se contarmos apenas com o período em que Paulo Bento esteve no banco. Os leões fizeram uma bela recuperação no campeonato e conseguiram manter a emoção até à 30ª jornada, quando perderam com o FC Porto. Mas o segundo lugar vale tanto como o primeiro, em termos financeiros, e esse foi conseguido sem discussão. Na Taça o Sporting saiu nas meias-finais, mas de forma que não envergonha. Vergonha aconteceu nas duas eliminações europeias, mas Paulo Bento nada teve a ver com isso, ao contrário do seu incompetente antecessor (ou será antecessor incompetente?).

Agora há que preparar a próxima época. Paulo Bento terá de ser para manter, obviamente, nem admito outro cenário. Para fazer uma figura decente na Champions será preferível manter igualmente os melhores jogadores do plantel, nomeadamente os que terão mais mercado, como Liedson, Moutinho ou Nani. Veremos o que vai acontecer, pois é sabido que no Sporting facilmente se vendem os grandes talentos, mesmo pondo em causa o sucesso desportivo. A nota de terror vai para a cada vez maior probabilidade de Sá Pinto continuar a jogar mais um ano. Gostava de ver o Sporting jogar 11 contra 11 e não 10 contra 12, como tantas vezes aconteceu este ano.

Boavista, 1 - FC Porto, 1

:: Cromo Repetido :: Oportunidade aos Reservas

O FC Porto apresentou na jornada final da liga uma equipa de reservas para jogar no Bessa. Nenhum dos titulares da jornada anterior foi sequer convocado, pelo que Adriaanse deu minutos a diversos elementos menos utilizados nos últimos meses, aproveitando ainda para estrear o jovem Hélder Barbosa. A equipa alinhou num 4-3-3 em que um dos defesas tentava subir, não arriscando tácticas menos usuais.

Pela minha parte, foi uma oportunidade agradável para ver alguns desses jogadores; já o Nacional, que dependia deste jogo para tentar manter o seu lugar na Taça UEFA, provavelmente achou menos interessante a opção de Adriaanse. No entanto, viria a verificar-se que a equipa pouca competitividade perdeu, dado o empenho da generalidade dos jogadores em mostrarem valor neste final de época.

Entrou melhor o Boavista, com Baía a negar uma grande ocasião a João Pinto (em posição duvidosa no momento em que se isolou). O Porto acalmou o jogo, com Ibson e Anderson a subirem de rendimento, e num bom corte de Bruno Alves nasceu um belo golo de Lisandro López. O argentino correu pela esquerda, flectiu para o interior e atirou ao ângulo.

O Boavista teria nova situação de golo por Paulo Jorge no segundo tempo, com Baía novamente em evidência, até que já numa fase adiantada do jogo o mesmo Paulo Jorge viria a desviar um cruzamento para o golo do empate. Bruno Alves estava entre ele e a bola e reclamou empurrão pelas costas, mas o árbitro Pedro Henriques não atendeu.

O jogo terminaria empatado, e com o jovem Hélder Barbosa a ver escusadamente o segundo amarelo já em tempo de compensação. Houve ainda tempo para Sokota regressar à competição por alguns minutos depois da lesão ligamentar que o afastou desde o jogo de Glasgow. Globalmente, a equipa apresentada mostrou bons argumentos, com jogadores como Ibson, Lisandro López, Bruno Alves e Anderson em destaque. Falta agora a final da Taça de Portugal na próxima semana.

- 99 - Vítor Baía [7] - Nada podia fazer no golo que sofreu, tendo tido várias intervenções de qualidade.
- 22 - Sonkaya [6] - Não comprometeu, dentro das limitações que lhe são conhecidas.
- 35 - Marek Cech [6] - Regular no seu papel entre defesa e meio-campo.
- 13 - Bruno Alves [7] - 1 assistência - Pena o lance que perdeu no golo do Boavista, independentemente de poder ter existido falta, porque no restante teve uma boa exibição; é o tipo de jogador que pode comandar uma defesa.
- 3 - Ricardo Costa [7] - Alguns bons cortes e poucos erros a referir; nota-se maior consistência quando joga a central.
- 6 - Ibson [7] - * - Não chegou a deslumbrar, mas nota-se quase sempre a sua qualidade naquilo que faz a meio-campo.
- 30 - Anderson [7] - É fácil esquecer a sua idade, de onde vem provavelmente alguma irregularidade, mas a sua capacidade de aceleração, drible curto, e futebol objectivo impressionaram várias vezes no Bessa.
- 27 - Alan [6] - Como habitualmente, foi misturando lances interessantes com outros mal finalizados.
- 25 - Ivanildo [6] - Já esteve em melhor forma, e apesar da mistura promissora de juventude com capacidade física e técnica, não se conseguiu impor.
- 11 - Lisandro López [7] - 1 golo - Marcou um belo golo e saiu tocado ao intervalo.
- 39 - Hugo Almeida [6] - Razoável dentro de um jogo que não estava muito talhado para as suas características.

- 57 - Hélder Barbosa [6] - Fica lembrada a estreia pelo segundo amarelo escusado que viu, mas é um jogador interessante.
- 17 - Jorginho [-]
- 19 - Sokota [-]

segunda-feira, maio 01, 2006

O palhaço Ronald

Por motivos de lazer, não acompanhei com grande atenção a 33ª jornada da Liga Betadine. O próprio Rio Ave-Sporting só contou com a minha atenção a partir dos 52 minutos. Do que vi do jogo de Vila do Conde, o Sporting melhorou em relação às últimas três jornadas, mas continua abaixo do que mostrou antes da derrota com o FC Porto. O Rio Ave parece mesmo destinado à descida de divisão, após algumas épocas de resultados e classificações muito interessantes no escalão principal. Ninguém conseguiu suportar o peso da herança de Carlos Brito. De resto, o jogo acabou por ficar marcado por três golos bizarros, apenas se aproveitando o golo de Nani, após um belo passe de Deivid.

O ponto alto da ronda aconteceu depois, quando, no carro, ouvi a conferência de imprensa de Ronald Koeman após o Benfica-V. Setúbal. Esperava eu ficar a saber como os encarnados tinham derrotado os sadinos, afinal o holandês preferiu explicar como o Sporting venceu em Vila do Conde. Sabia que o professor Marcelo conseguia ler vários livros ao mesmo tempo, desconhecia que Koeman tinha a capacidade de ver e analisar dois jogos em simultâneo. Temos ali alguém muito à frente do seu tempo!

Ora disse o Ronald (não o McDonald, mas outro que terá tantas ou mais capacidades para fazer de palhaço) que seria difícil ao Benfica ultrapassar o Sporting na classificação, depois de ver a forma como o Rio Ave sofreu os golos leoninos. Foi um momento muito ridículo, mas ainda assim merece umas notas:

1º Ronald Koeman devia estar lembrado da forma como o Benfica venceu este mesmo Rio Ave há poucas semanas, igualmente em Vila do Conde. Se se lembrasse, de certeza que se calava bem caladinho.

2º Como já disse hoje Danielson, claramente infeliz no jogo de ontem, ninguém viu Koeman levantar suspeitas há uns meses, quando Luisão passou uma vergonha diante de Liedson e quando Beto confundiu a coxa do levezinho com a bola. Não foi suspeito o Sporting ter ganho na Luz com aquela facilidade toda?

3º Há uns meses, Koeman fez contas ao campeonato e nelas só englobou o FC Porto, ignorando o Sporting. Na altura, “A Bola” enalteceu a postura do holandês, garantindo que ele não queria ofender o Sporting, estava apenas a ser pragmático, directo e sincero, como é apanágio dos povos do norte da Europa. Suponho que as declarações de ontem também contenham essas qualidades.

FC Porto, 3 - V. Guimarães, 1

:: Cromo Repetido :: Os Tipos Porreiros da SportTV

Vou apenas comentar o resumo que vi do jogo, uma vez que por imposições regulamentares a maioria dos jogos foram disputados em simultâneo. Isto fez com que a SportTV mostrasse apenas o Rio Ave - Sporting, apesar das repetidas promessas de ligação ao Dragão (onde o campeão fazia a festa e um clube da dimensão do Guimarães lutava para não descer).

Não basta cobrarem 60 contos por ano e mesmo assim obrigarem os assinantes a enfardarem grandes quantidades de publicidade (para não falar nos maus comentários, salvo raras excepções), os tipos porreiros da SportTV não se lembraram(?) de usar o seu fantástico serviço digital para transmitir em simultâneo o jogo do FC Porto, para o qual também tinham direitos de transmissão.

Pelo que se viu do jogo, em que o Guimarães entrava em campo quase desesperado, a vitória de um FC Porto para quem o jogo nada valia fica manchada pela má arbitragem de Hélio Santos -- e não é propriamente a primeira vez que acontece uma arbitragem assim na carreira dele.

Na primeira parte Paíto é bem expulso por acumulação de amarelos, e pouco mais pareceu acontecer de relevante. Já no segundo tempo o filme foi diferente. O Porto marcou num penalty bem assinalado por falta sobre Jorginho, que parece no entanto estar em fora-de-jogo no início do lance. Lucho converteu. Hélio Santos nega depois por duas vezes a possibilidade do 2-0, primeiro anulando mal por fora-de-jogo um golo a Ibson, e depois não assinalando penalty numa falta que parece existir sobre Adriano. O Guimarães chega depois ao empate por Antchouet, já com Baía em campo, a poucos minutos do final.

Voltaria no entanto o Porto a marcar por duas vezes: primeiro por Lucho em recarga a remate de McCarthy (parece novamente existir fora-de-jogo, mas ficam mais dúvidas neste caso), depois por Adriano, isolado após passe do mesmo McCarthy. Pelo meio, é mal anulado um golo que daria o empate ao Guimarães por fora-de-jogo. Enfim, muito que contar.

Para o FC Porto foi a comemoração merecida do título, restando agora a deslocação ao Bessa para cumprir calendário antes da final da Taça de Portugal. Para o Guimarães, pode ter sido o fim da linha numa época que tem sido certamente difícil de aceitar para os seus adeptos.

- 1 - Helton
- 12 - Bosingwa
- 14 - Pepe
- 4 - Pedro Emanuel
- 18 - Paulo Assunção
- 8 - Lucho González - 2 golos
- 16 - Raul Meireles
- 17 - Jorginho
- 7 - Quaresma
- 9 - McCarthy - 1 assistência
- 28 - Adriano - 1 golo

- 6 - Ibson
- 99 - Vítor Baía
- 27 - Alan