sexta-feira, agosto 25, 2006

Reina a Incerteza

:: Cromo Repetido :: O Porto, a Liga e a Caderneta

O FC Porto troca de treinador a meio da pré-época, tal como há dois anos. A Liga, num belo exemplo de organização e competência portuguesa, não consegue resolver se quem fica na Superliga é o Gil Vicente, o Belenenses ou mesmo o Leixões. E já agora, será que este ano vamos voltar a ter Caderneta da Bola? Reina, de facto, a incerteza neste início de época!

Alguém disse aquando da saída de Adriaanse que esta equipa podia ser campeã sem treinador. É certo que se manteve todo o grupo fundamental da época passada, mas a concorrência interna está, para mim, mais forte, e o desafio europeu é grande.

Jesualdo Ferreira supostamente reuniu "o consenso do universo portista", mas pessoalmente considero que vai ser um treinador para consumo interno e de permanência relativamente curta. Por outras palavras, creio que coloca o FC Porto em condições de fazer uma boa época a nível interno, mas as afirmações de Pinto da Costa sobre uma muito melhor carreira europeia fazem-me pensar que se enganou no treinador -- isto com uma equipa técnica de idênticas características.

Relativamente à saída de Adriaanse, lamento que esta tenha acontecido. Nunca ia ser um treinador compreendido, quanto mais bem aceite, em qualquer clube português. Considero que fez um bom trabalho, conquistando campeonato e taça praticamente sem gastar dinheiro, mesmo sendo eliminado prematuramente e com bastante infelicidade na Europa. Julgo que Pinto da Costa esteve muito mal no seu relacionamento com o holandês nestes últimos tempos, e acredito que o FC Porto fica a perder com a troca de treinador.

Para já, mesmo Rui Barros foi suficiente para guiar a equipa (ainda versão Adriaanse) até à conquista da Supertaça, com um claro 3-0 frente a um Setúbal inofensivo, mesmo depois de uma primeira parte fraca. Jogadores como Anderson, Ibson e Raul Meireles mostram boa forma, mesmo que outros como Quaresma, Pepe e Paulo Assunção ainda pareçam ter algum caminho a percorrer até atingirem os níveis do ano passado.

Poucas dúvidas parece haver, entretanto, que falta algo no sector atacante. O regresso de Postiga após a saída de Adriaanse parece-me praticamente irrelevante para estas contas, vista a pobreza do registo do jogador desde que foi vendido ao Tottenham. Com Hugo Almeida fora das contas e McCarthy finalmente em Inglaterra, o Porto tem dois avançados centro bons para consumo interno mas apenas razoáveis para a Europa: Adriano e Lisandro López. Quanto ao promissor Bruno Moraes e a Sokota, enquanto não passarem uns meses seguidos na convocatória dificilmente se pode contar com eles. Parece-me, portanto, muito pouco; mas já deve estar aí mais um par de sul-americanos a caminho.

Menos comentada, mas para mim igualmente importante, é a falta de opções na defesa. Se o meio-campo tem opções a mais, o que dizer de um sector privado até ao fim do ano de Pedro Emanuel e João Paulo? Apenas os irregulares Ricardo Costa e Bruno Alves, mais a incógnita Ezequias, aparecem como alternativas ao trio consistente que tem sido titular. Pouca coisa para encarar uma época, sobretudo quando Jesualdo quiser deitar fora o 3-4-3 e implementar o seu 4-3-3.

Por outras terras, Sporting e Benfica parecem-me ter evoluído desde a época passada. No Sporting destacaria a manutenção de uma equipa técnica que parece reunir o apoio dos jogadores, bem como a aquisição de um jogador valioso no paraguaio Carlos Paredes. A juntar a isto, a habitual evolução de jovens valores das escolas sportinguistas. Já no Benfica, parece-me que muito andará às costas da capacidade de Rui Costa, aos 34 anos, continuar a inspirar a equipa como tem feito na pré-época. Fernando Santos é um treinador capaz, mesmo que não seja para mim um técnico de topo, e com reforços como Katsouranis, Miguelito e o regressado Miccoli tem argumentos interessantes -- para não falar na manutenção dos seus melhores jogadores, Luisão e Simão.

Curioso será observar como cada equipa irá gerir o desgaste acrescido de jogar a Liga dos Campeões, algo que pela primeira vez irá afectar simultaneamente os três crónicos candidatos ao título. Parece-me que o Benfica saiu com um grupo mais acessível do pote 3 do que o FC Porto do pote 2 (ao reencontrar o Manchester United com vantagem psicológica, ao mesmo tempo que defrontará um Celtic claramente em baixo desde os tempos de Larson e um FC Copenhaga que todos queriam encontrar), e que ao Sporting terá calhado a missão mais espinhosa (visto ter que superar Inter e Bayern sem deixar o Spartak de Moscovo intrometer-se).

Do grupo do FC Porto, o vice-campeão europeu Arsenal dispensa grandes comentários, mas os dois clubes de potes inferiores são também perigosos. O CSKA Moscovo domina na Rússia e não perdeu o grupo que ganhou a Taça UEFA há dois anos, com Igor Akinfeev, Daniel Carvalho, Vagner Love e Ivica Olic, num plantel que inclui muitos internacionais russos. O Hamburgo, entretanto, dispõe de nomes como Rafael van der Vaart, Nigel de Jong, Vincent Kompany e Raphael Wicky no plantel.

Veremos então o que nos reserva o arranque da Superliga, hoje, no Estádio do Dragão... e ficam votos de que este ano volte a haver Caderneta.

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